Thursday, January 15, 2015

A propósito dos estágios

Numa economia que se quer pujante, não é atirando subsídios às empresas para contratar ou para o que quer que seja que vamos colocar o país a crescer.
A recente medida de incentivo do governo é mais uma artificialidade que não só vai mascarar os números do desemprego como também não resolve nada. Mais uma vez insisto, num país pequeno como o nosso o grande drama são os salários baixos, e a falta de aposta na exportação. Com o poder de compra baixíssimo e sem uma aposta clara na exportação quem compra o que produzimos?
Uma empresa que não consegue pagar ordenados acima do valor actual do salário mínimo não é tão pouco uma empresa viável. Temos vivido há demasiado tempo com este problema. É certo que é impossível aumentar os vencimentos dos trabalhadores para o dobro de um momento para o outro, mas deveríamos caminhar no sentido de aumentar os salários e não da sua diminuição como tem sido a política actual (e não é o aumento que foi feito do salário mínimo que altera isto) pois cada vez mais a ideia das empresas é ter os trabalhadores pouco tempo pois têm sempre mão-de-obra barata (e muitas vezes qualificada) para contratar pelo salário mínimo, a recente medida do governo só irá agravar ainda mais esta situação.

Friday, November 28, 2014

Os Sócrates vs. Resto do mundo

A dentenção preventiva de José Sócrates levantou uma onda de choque como nunca até agora me lembro.
Rapidamente foram formadas duas barricadas: as dos que apoiam incondicionalmente Sócrates e a dos que já o condenaram. 
Da minha parte, nenhum dos desfechos possíveis me deixará satisfeito. Se for condenado, fui governado durante cerca de seis anos por um corrupto, se por outro lado for inocente, pergunto-me como é possível a justiça agir desta forma com um ex primeiro-ministro sem que a acusação tivesse um caso devidamente fundamentado e preparado.
Não me preocupa a forma como a processo está a ser conduzido, creio que nesta altura, apenas com os dados fornecidos pela comunicação social, ninguém poderá, em consciência, dizer se o processo está a ser bem ou mal conduzido. A mim, enquanto cidadão, interessa-me sobretudo que no final a justiça me explique o porquê da decisão que vier a tomar, até lá, tudo resto não passam de coisas sem importância.

Wednesday, November 13, 2013

Salário mínimo.

Instituído a 27 de Maio de 1974 com o valor de 3300 escudos, o salário mínimo nacional cifra-se neste momento em 485€ mensais em Portugal Continental, variando mas Regiões Autónomas. Ainda que o salário mínimo esteja instituído na grande maioria dos países, existem correntes de pensamento que o acusam de criar instabilidade e deformação económica em trabalhadores com graus de produtividade mais baixa, já os seus defensores dizem que o mesmo reduz a pobreza extrema e miséria entre as pessoas com emprego.
Sem querer emitir uma opinião concreta gostava de deixar aqui algumas reflexões, se de facto a existência de um ordenado mínimo obriga os empregadores a não pagarem abaixo de um determinado patamar permitindo desta forma uma maior equidade entre trabalhadores, Por outro lado, num país em que mais de meio milhão de trabalhadores recebe o salário mínimo, o que corresponde a um total de 12,7%, valor que tem vindo a aumentar desde 2007, não será caso para questionar se a simples existência de um salário mínimo por si só não será uma referência demasiado baixa e aproveitada pelos empregadores para terem uma folha salarial reduzida? Não desvirtuará de certa forma a concorrência na obtenção de mão-de-obra, uma vez que na grande maioria todas as empresas têm o salário mínimo como bitola?
Aceito no entanto que em tempos de crise haveriam concerteza pessoas, que no seu desespero aceitariam trabalhar por salários bastante inferiores ao que está actualmente estipulado e que o simples facto de o não existir nenhum constrangimento legal ao mínimo que uma empresa poderia remunerar os seus colaboradores, poderia ter um efeito ainda mais funesto nos escalões remuneratórios em Portugal. 
Acredito que este debate deveria de ser prioritário em Portugal, pois na realidade é impossível desenvolver uma economia em que 12,7% da sua força de trabalho não consegue ganhar o suficiente para se auto-sustentar sem qualquer ajuda externa.

Friday, May 17, 2013

A água que pode virar lixo

Numa altura em que se discute a cada vez mais forte possibilidade de entregar a gestão das águas e do lixo ao sector privado, o que mais uma vez aparenta ser uma medida desprovida de qualquer tipo de reflexão ou pior, com uma agenda escondida por trás. Vejamos: faz sentido entregar a uma empresa dois serviços que são indispensáveis na vida de qualquer pessoa? De algo que não nos é permitido optar ter ou não ter, ou de algo em que existam várias empresas numa cidade com diferentes tipos de serviços e de preços, estamos a falar de um monopólio legal.
Mais uma vez o Estado irá entregar a grupos de interesse um serviço que deveria ser ele, ou as autarquias a prestar através dos impostos, e ao fazê-lo está não apenas a criar mais um aumento de custos quer para as pessoas quer para si próprio, pois será o que vai acontecer ao serem detectadas as chamadas ineficiências do mercado, irão ser sobretudo as autarquias que terão de transferir dotações dos seus orçamentos  municipais para as corrigir.
Um outro factor é o financiamento pouco claro aos partidos, sobretudo a nível local pois como todos sabemos, a promessa de uma vitória no concurso A, B ou C poderá ser tentadora para muitos grupos menos escrupulosos.
Não, nada me move contra as privatizações, apenas creio que não fã sentido entregar a privados serviços essenciais para as populações, sobretudo serviços que não temos qualquer escolha que nos permita mudar o seu prestador em caso de insatisfação.

Saturday, May 11, 2013

As duas faces da mesma moeda.

No dia em se se joga o campeonato no estádio do Dragão há algo muito mais importante em jogo. Em caso de vitória, o Benfica não apenas ganha o campeonato como tem também uma oportunidade de ouro para quebrar a moral e a hegemonia do F. C. Porto. Em caso de derrota, mostra mais uma vez que apesar de ter melhor equipa não consegue ser superior ao conjunto do norte em termos psicológicos, como ficou demonstrado quando permitiu que o rival fosse à Luz conquistar o título há dois anos, ou seja, pode hoje ser o inverter de um ciclo ou então um pouco mais do mesmo, com o Benfica a ter todas as condições para ser campeão e mais uma vez falhar nos momentos decisivos. Deverá ser esta a principal motivação da equipa logo à noite.
Ainda assim não posso deixar de dizer que aconteça o que acontecer logo e também na quarta-feira, esta está a ser uma grande época padrão Benfica, digo-o agora pois não sei se de futuro terei a coragem e a honestidade intelectual de o dizer, pois temo que o sentimento de tristeza e de frustração me toldem o discernimento.
Termino a dizer que eu acredito!!

Wednesday, May 8, 2013

Carris

Confesso que fico estupefacto com o que vi ontem na televisão, funcionários da carris que desmaiam por falta de alimentação e para os quais é necessário uma espécie de banco alimentar contra a fome Interno para que possam ter as suas refeições. 
Como sou curioso, e sinceramente não tinha os funcionários da Carris entre os trabalhadores mais mal pagos do país, fiz uma pequena pesquisa na internet onde verifiquei que os ordenados dos motoristas é em média 1100€ mês, sendo estes e muito injustamente devo acrescentar, dos que pior ganham dentro da empresa. Não sendo um ordenado chorudo é ainda assim um ordenado que me parece suficiente para não se passar fome. Não digo que não possam existir alguns casos assim na empresa mas daí a ser uma fome generalizada... 
Parece-me uma dramatização excessiva e ofensiva quando temos no país tanta gente desempregada, tanta gente com emprego mas vários meses de salário em atraso e tantas e tantas pessoas a auferirem o ordenado mínimo.

Sunday, February 17, 2013

Alguém contrate um vendedor para o governo

Se o Macnamara tivesse surfado aquela onda numa qualquer praia de Espanha já tinham vendido aquilo como uma marca turística para praticantes de surf internacional. Como foi cá, ficamos todos contentes porque a maior onda do mundo foi surfada em terras lusas - como se as gentes da Nazaré se alimentassem de egos pátrios - não fazemos nada.
Temos tudo, só nos faltam uns vendedores decentes para vender o que muito bom temos por cá.

Friday, January 11, 2013

Entendam-se.

Uma instituição como o FMI, que tem nas mãos a vida financeira de milhões de pessoas dos países intervencionados, deveria falar a uma só voz, não é isso que está a acontecer. Christine Lagarde diz que a austeridade está a ser aplicada de forma algo violenta o que tem dificultado o crescimento económico no qual deveriam apostar doravante, já os seus técnicos continuam a apostar na mesma receita.
Seria importante um esclarecimento do tipo de políticas económicas a seguir para que os povos que têm de viver com elas não só as aceitassem melhor mas também as aplicassem melhor, assim, fica a sensação que tudo o que está a ser feito é baseado em teorias por comprovar e que os sacrifícios (que são muitos) poderão ser em vão.

Saturday, April 28, 2012

Ocupados

Ainda que por principio simpatize com a causa do auto-denominado grupo Es.Co.Las que tanto tem dado que falar, que de facto parece bem intencionado nas suas acções e tem desempenhado um papel relevante na dinamização social e cultural numa zona carenciada da cidade do Porto, não me parece razoável que apesar das boas intenções se ocupe ilegalmente um edifício do Estado. Podemos argumentar que o edifício se encontrava vazio e sem ser utilizado e que desta forma serve uma boa causa, o que é verdade. No entanto, por uma questão de principio não podemos permitir este género de ocupação, pois a seguir virão outros cujos propósitos não serão tão nobres como estes e nestes casos a linha que separa o bom do mau é muito ténue.
Talvez se possam retirar alguns ensinamentos futuros deste caso. Estas associações são úteis à sociedade e devem ser apoiadas e ouvidas quer pelas autarquias, quer pelo governo, uma vez que poderão desempenhar um papel importante junto das comunidades onde estão inseridas e onde na maioria das vezes o Estado e as autarquias não chegam. Mas estas entidades não podem sob a capa da boa-vontade auto-marginalizarem-se e acharem-se acima da lei.

Saturday, April 7, 2012

Economês

As recentes políticas de austeridade impostas a países europeus, nomeadamente à Grécia, Portugal e Irlanda, deixa no ar a ideia de que os economistas da chamada "Troika" estão embrenhados em modelos económicos de tal forma complexos que parecem ter esquecido os princípios mais básicos da economia. Numa altura de crise como a que vivemos actualmente, impunham-se medidas de contenção orçamental que são indiscutíveis, no entanto, a parte do crescimento económico foi claramente esquecida.
Ainda recentemente na última avaliação feita pela "Troika" ao nosso país responsáveis revelavam-se surpreendidos pelo nível de desemprego registado em Portugal. Esta surpresa revela um desconhecimento da realidade económica portuguesa, que se encontra muito assente no Estado. Claro que esta tendência teria de ser invertida para permitir o crescimento, no entanto, ao retirar à nossa economia a sua base de sustentação de forma repentina sem permitir que esta paulatinamente se regenere, estaremos muito provavelmente a acabar de vez com ela.

Thursday, February 23, 2012

"Anjinho" de carnaval

A gestão política do Carnaval feita pelo governo mostrou algo de que já poucos duvidavam: este governo é de uma inabilidade política tremenda.
O governo pretendia dar uma imagem de rigor e de vontade de trabalhar e ao invés passou mais uma vez um atestado de incompetência e precipitação. Foram as próprias Câmaras Municipais as primeiras a desautorizar o governo e a concederem o dia aos seus funcionários.
A justificação dada pelo Ministro da economia relacionada com os acordos colectivos chega a ser patética! Esses mesmo acordos incluem o pagamento dos subsídios de férias e de Natal e isso não impediu o governo de os retirar.
É ainda de assinalar que as próprias entidades privadas que por força da nova lei laboral têm cada vez mais poder perante os seus colaboradores, resolveram em muitos casos, dar o dia aos seus funcionários.
Apesar de detestar o Carnaval, reconheço que esta é uma altura importante em muitos municípios para o comércio, hotelaria e restauração, que em altura de crise sofrem como nunca. Até por isso é pedido ao governo uma reflexão mais profunda ao decretar estas medidas sob pena de mais uma vez ficar mal na fotografia. O que vale é que é Carnaval e ninguém leva a mal, ou talvez não...

Friday, February 10, 2012

Pedintes?!

Não gostei de ver o nosso Ministro das finanças a falar com o seu homologo alemão sobre a eventualidade de um novo resgate financeiro a Portugal. Não gostei, não por achar que ele não irá acontecer ou até por parecer um pouco pedincha. O que eu não gostei nada foi de Vítor Gaspar o ter feito de uma forma subserviente ao Ministro das finanças alemão, que, que eu saiba, foi eleito pelo povo alemão e não pelo povo português.
Começa a cansar ver os alemães sempre a meterem-se onde não são chamados, queriam inclusive nomear uma espécie de ministro das finanças interino para a Grécia. Enfim...
Tenho a consciência são os alemães que neste momento dispõem de capital má Europa, mas esquecem uma factor. Uma parte significativa das exportações alemãs são para a Europa e quando os países que eles tanto querem estrangular deixarem de ter dinheiro para comprar os seus produtos também eles sentirão dificuldades.
Outra questão que me surpreende é como é possível que jornalistas tenham conseguido não apenas obter imagens mas também áudio daquela conversa. Que amadorismo...

Wednesday, January 25, 2012

Porque não dão uma Cavaca ao Cavaco?

Sempre nutri (e continuo a nutrir) admiração política pelo actual Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, no entanto, não posso deixar de ficar indignado com as suas recentes declarações nas quais se lamenta que também ele era muito prejudicado pelos cortes levados a cabo no último Orçamento do Estado. Não compartilho da opinião geral de que os políticos ganham em demasia e muito menos o Presidente da República, o problema, é que Cavaco ao proferir tais declarações demonstrou o que eu já pensava: os nossos responsáveis políticos não fazem ideia do que é viver em Portugal não com o salário médio, que no terceiro trimestre de 2010 rondava os 777€ líquidos, mas sim com os 485€ do salário mínimo que é praticado na grande maioria das nossas empresas. Os nossos responsáveis políticos ainda que não sendo pagos principescamente, são, ainda assim, uma franja do mais privilegiado que existe na nossa sociedade, e não compreendem a ofensa e a indignação que provocam no cidadão normal, quando ouvem alguém que tem rendimentos de cerca de 6000€ mensais, casa do Estado e carro com motorista lamentar-se que o que ganha, mal chega para as despesas.

Thursday, January 19, 2012

Exigência

Deixei de acreditar neste governo depois de ter visto o ar beneplácito com que o actual Primeiro-Ministro respondeu a uma criança que lhe disse que os pais estavam preocupados porque iam ficar sem os subsídios de férias e de Natal que isso era um disparate e que ninguém iria fazer isso. Vem-me à memória o cliché de roubar o doce a uma criança.
Não iam cortar nos subsídios como não iam nomear amigos do partido, e outras mentiras.
Enquanto cidadão, reservo-me o direito não apenas de me sentir indignado, como também de exigir responsabilidades a quem nos governa e mente aos cidadãos para ser eleito.
É hora de vincular os políticos às suas próprias palavras. Deixemo-nos de desculpas e deixemos de ser ingénuos e condescendentes com quem nos engana.
Tempos difíceis exigem uma responsabilidade ainda maior a quem governa.

Sunday, January 15, 2012

Nova fase blogueiro

Boa tarde meus ávidos dois ou três leitores, que acredito já estarem a desesperar por mais crónicas viperinas da minha parte.
Por dificuldades de agenda não tenho sido assíduo neste espaço, muito por culpa de querer escrever textos mais completos o que também os torna necessariamente mais longos e para isso é claro preciso mais tempo para os escrever.
Com tanta coisa a acontecer é complicado ficar calado sem mandar umas "larachas", por isso decidi que iria começar a escrever "post's" mais pequenos para comentar o que se está a passar.
Aguardem...

Sunday, June 12, 2011

Mudar de rumo

Os resultados eleitorais do passado Domingo demonstraram uma vontade clara dos eleitores em mudar de rumo, quando falo em mudar de rumo não falo apenas em mudar de partido de Governo, falo também em mudar o país. O grande vencedor destas legislativas foi claramente a abstenção, que ficou alguns pontos acima do PSD, isso demonstra o descrédito com que os eleitores encaram a política e os políticos em Portugal. No entanto, a abstenção não é uma forma de Governo e o PSD coligado com o CDS/PP lá irão gerir os destinos do nosso país supostamente  nos próximos quatro anos. 
Já todos sabemos que este governo não vai ter capacidade de inventar muito, uma vez que na maioria das matérias se limitará a seguir as indicações dadas pela "troika". Há no entanto algo em que o novo Governo será determinante para o futuro de Portugal: é imperativo colocar a economia Nacional a crescer, sobe pena de não gerar-mos riqueza suficiente para pagar-mos o empréstimo que nos foi concedido pela instâncias internacionais, o que o transformaria no nosso pior pesadelo.

Sunday, June 5, 2011

Eleições

No dia de hoje os portugueses elegerão um novo governo. Têm hoje a oportunidade de manifestar nas urnas o descontentamento que tanto verbalizam nas conversas de café, no supermercado, no trabalho, etc.
É importante que votem, que se manifestem, que se façam ouvir.
Sem apelar ao voto em nenhum partido em particular, da minha parte vou votar num daqueles muito pequeninos de que muita gente nem ouviu falar, porque na minha opinião, está na hora de mostrar aos partidos que têm tido assento parlamentar desde o 25 de Abril, que não estou nada contente com o trabalho que têm feito. E para mim, não chega apenas mudar de governo, uma vez que o fado será o mesmo mas com algumas caras diferentes.

Sunday, May 22, 2011

Alguém viu por aí uma ideia?!

Quem gastou cerca de uma hora do seu precioso tempo a ver os debate entre os líderes dos dois principais partidos portugueses deve de ter ficado assustado, eu fiquei! Durante uma hora não saiu nada de dentro daquelas duas alminhas que me fizesse sequer concordar ou discordar, porque pura e simplesmente não houve naquele debate a discussão de sequer uma ideia, foi um desenrolar de acusações de parte a parte que me fez lembrar duas crianças a fazerem "queixinhas" à mãe sobre quem pintou as paredes da sala. 
Compreendo que não exista um debate sobre as ideias e sobre o rumo a dar ao país porque de facto eles não as têm, a única coisa que possuem é estratégia para chegarem ao poder e de lá saírem o mais tarde possível depois de se servirem do país como uma espécie jogo de computador "The Sims" mas em tamanho real.
Depois do debate foi a continuação de bom tempo, com os habituais comentadores a tentarem justificar quem ganhou o debate, cada um deles a defender os seus interesses, porque no fundo, se fizermos uma análise, todos eles têm algo a ganhar ou a perder, uns mais assumidos do que outros, mas todos comprometidos. O que não se ouve, nem se lê aos chamados "opinion-makers" é o que eles de facto pensam, se é que ainda o fazem... 
Sendo como é óbvio sucinto, e com a consciência de que os problemas do país são estruturais e impossíveis de deixar aqui expostos nestas meia dúzia de linhas, não queria deixar passar em claro que nos últimos anos, se repararmos somos geridos por políticos cujo contacto com a vida real acontece apenas no caminho de casa para a "J", e depois no caminho de casa para o partido e para o Parlamento. Este penso ser um dos graves problemas com que o país se tem deparado, a falta de preparação das pessoas que têm poder de decisão em Portugal, não apenas políticos mas também gestores sejam eles públicos ou privados.
Só é possível resolvermos um problema se o conhecer-mos a fundo. Estas pessoas não sabem o que é pagar o empréstimo da casa, do carro, ir ao supermercado, etc, porque simplesmente nunca precisaram, ainda que acredito possam haver algumas excepções, penso que deverão ser poucas, e como nunca souberam como é o quotidiano da maioria das pessoas, quando tomam uma decisão não conseguem ter em mente o que essa mesma decisão irá afectar o dia-a-dia dos portugueses. Como é óbvio não é nas chamadas arruadas e nos beijinhos que se dão às velhinhas que se fica a conhecer a realidade do país. 
E nós, o povo, continua assim adormecido, a discutir a política como se discute futebol, sem nada perceber do que se está a passar porque também não interessa que percebam.
Nesta altura devíamos todos estar a fazer uma espécie de "brain-storming" para perceber como tirar o país desta situação, devíamos estar a discutir como vamos fazer o país crescer e desenvolver-se, e não estar preocupados com medidas que não trarão nada de positivo como o aumento da carga horária, a diminuição das férias, etc. Parece que em vez de tentarmos gerar riqueza pretendemos gerar pobreza.
Segundo os "opinion-makers" iluminados do alto da sua sabedoria que não se sabe muito bem de onde vem, os portugueses gastaram mais do que deviam, até posso concordar, se englobar-mos os governos como os principais gastadores, mas também se esquecem que uma relação comercial é feita de compras e também de vendas, e que só faz sentido fabricar um produto se depois a economia gerar riqueza suficiente para que quem o fabricou o possa de seguida vender. 
Temo seriamente que se não forem tomadas medidas sérias e honestas que esteja em causa a médio/longo prazo a viabilidade económica do país.

Saturday, May 14, 2011

Grandes superficiais

Segundo estudo publicado pelo pelo "Jornal de negócios" no mês de Abril, o salário médio do administrador do grupo retalhista Jerónimo Martins ascende num ano ao equivalente a 60 salários médios dos restantes colaboradores da empresa, o que perfaz um total de 662.230 Euros, enquanto que o salário médio anual da empresa cifra-se nos 10,861 Euros. Traduzindo estes valores para ganhos mensais, podemos verificar que o administrador do grupo aufere por mês cerca de 50 mil euros mês, ao passo que quem lhe proporciona o respectivo vencimento se fica pelos 775 Euros brutos, e sabemos que estas médias não reflectem a maioria dos salários pagos pela empresa uma vez que já terão os salários das chefias incluídos nestes valores que são naturalmente mais elevados que os dos restantes colaboradores.
É aqui apresentado o caso da Jerónimo Martins mas poderia apresentar de qualquer outro grande grupo retalhista que os resultados não seriam seguramente diferentes.
Os trabalhadores das grandes superfícies, sejam elas super ou hipermercados e centros comerciais representam hoje uma espécie de escravatura nacional do séc. XXI.
A grande maioria dos trabalhadores do grande retalho é mal paga, sujeita a turnos não remunerados ou pouco remunerados, não tem direito a fins de semana ou feriados, estando sujeitos a folgas rotativas que nem sempre são folgas planeadas atempadamente, que por vezes nos meses de Verão de forma a que os colegas possam gozar férias, nem podem ser gozadas para colmatar a falta do colega e muitas vezes acabam por ser as chefias a decidirem as datas em que podem gozar as suas férias.
Se compararmos os empregados dos grandes grupos retalhistas com por exemplo um administrativo, o empregado do grupo retalhista trabalha pelo menos mais 13 dias por ano que são correspondentes ao número de feriados celebrados em Portugal, isto se pelo meio não houverem as tão faladas pontes.
O argumento utilizado por parte dos retalhistas para a abertura aos Domingos e feriados e para os horários prolongados é que permitem que as pessoas façam as suas compras fora dos seus horários de trabalho flexibilizando assim o tempo disponível para realizarem as suas compras à hora que mais lhes for conveniente. É  um facto que para muitas pessoas estes horários são realmente úteis, no entanto, antes de chegarem as grandes superfícies retalhistas as pessoas também faziam as suas compras e nunca se viu ninguém a passar fome por não ter horas para ir às compras. É aliás assim por essa Europa fora.
Se eu enquanto cidadão tenho de organizar a minha vida para poder tratar de um qualquer assunto na administração pública que tem horários extremamente rígidos, por que motivo não o poderei fazer para tratar das minhas compras?
O que tem acontecido em Portugal, é que para alguns estarem cómodos outros estão a passar mal e isso não me parece próprio de uma sociedade que se pretende desenvolvida. 
No entanto para mim o grande problema que estas superfícies trazem, é o de "secarem" quase tudo à sua volta, é certo que se tornaram o grande empregador, sobretudo dos concelhos mais pequenos e interiores do país, mas se é verdade que a sua abertura criou muitos postos de trabalho, também é verdade que muitos foram os que se extinguiram na agricultura e pequeno comércio. E pior é que muitos investimentos nesses sectores que poderiam ser feitos no futuro não serão feitos pois é virtualmente impossível concorrer com estes gigantes.
O modelo de desenvolvimento nacional tem estado em grande parte assente neste tipo de estabelecimentos que para além do problema social que acabam por criar, ainda têm o problema de a maioria dos produtos que vendem serem resultado de importações. Reparem num qualquer grande centro comercial e verifiquem que na esmagadora maioria das marcas que possuem lojas nestes centros são estrangeiras. Este é um dos factores   que desequilibra a nossa balança comercial.
A actual crise poderá ser agora uma oportunidade para mudarmos este estado de coisas, para apostar num modelo de desenvolvimento mais arrojado em vários sectores como a agricultura, as pescas e todos os sectores produtivos. Acima de tudo, precisamos de empresários responsáveis e com visão, capazes da criação de marcas que possam ser o nosso cartão de visita lá fora. O resto virá por acréscimo. 
Eu acredito que somos capazes! Já temos provado que quando queremos a sério, sabemos superar-nos.

Saturday, June 26, 2010

A crise de valores e de moral

Ser-nos-à possível sobreviver enquanto sociedade neste modelo? A resposta, creio, ninguém a sabe ao certo. Penso que esta crise não é apenas económica, social ou política, é sobretudo uma crise de moral e de valores. 
Criámos uma sociedade que permite com a maior das naturalidades que os mais ricos explorem os mais pobres, e com isto temos uma minoria que tem dominado o planeta. 
Quando os vários governos falam em reduzir prestações sociais, aumentar impostos, facilitar despedimentos, como se a culpa de tudo o que se tem estado a passar fosse culpa nossa. Da minha parte, aceitaria de bom grado estas medidas, se lhes conseguisse antever alguma justiça, coisa que não conseguimos ver, nem usando uma lupa.
Não posso aceitar ver o meu ordenado já de si pequeno, ser reduzido, ter um emprego instável que dá muito jeito às empresas que cada vez mais são trituradoras humanas, sentir que nunca me vou puder reformar antes de ir para o lar, e depois ver cidadãos que acumulam várias reformas, e que acumulam essas mesmas reformas com ordenados que ainda auferem em empresas sobre as quais tiveram influências políticas, apenas porque desempenharam cargos de relevo em várias instituições públicas e privadas? Então, como também já trabalhei em várias empresas também exijo uma reforma por cada uma delas, exijo ainda o direito de me reformar com cinquenta anos e de puder continuar a trabalhar.
É lógico que numa sociedade equilibrada irão sempre existir ricos e pobres, mas desta forma andam a gozar com a nossa dignidade enquanto seres humanos. 
Neste momento a democracia é uma farsa. Alguém ainda acha que pode alterar, pelo menos a situação no seu país através do voto? Não, a seguir a quem está, virá alguém da mesma linha, que precisa de garantir todos os privilégios para si e para os que lhe são próximos.
É altura de dizer basta! de exigir que no mínimo nos tratem com respeito. 
Se quando vamos a uma mera entrevista de emprego somos escrutinados de cima a baixo quer enquanto profissionais, quer enquanto pessoas, está na hora de exigirmos que quem nos governa seja uma elite, que sejam os melhores, e que esses melhores tenham provas dadas na áreas que vão governar. Os trabalhos das J's não contam para "curriculum".

Mário Lima  

Tuesday, April 20, 2010

Alguém nos anda a "Mexer" no bolso...

Os bónus atribuídos aos nossos gestores constituem um escândalo de tal maneira grave que deveria levar a que os trabalhadores das empresas cujos gestores são pagos como se de Xeques das Arábias se tratassem, se recusassem a trabalhar durante uns largos tempos.
Tomemos como o exemplo o caso de António Mexia, gestor da EDP que recebeu no último ano qualquer coisa como 3.103 milhões de Euros. Em lista publicada pela edição nº 310 de 8 de Abril da revista Sábado, apenas 3 gestores a nível internacional receberam mais do que Mexia: Lawrance J. Ellison da Oracle com 62. 649 Milhões, Rupert Murdoch da News Corp. com 13.345 Milhões e Harold W. McGraw da McGraw & Hill com 4.374 Milhões, mas para espanto dos portugueses em geral Mexia consegue ganhar mais do que Steve Ballmer CEO da Microsoft, sim, esse mesmo que está a fazer o trabalho de Bill Gates. Chamo à atenção que a sábado não específica se existirão mais alguns gestores melhor pagos que Mexia.
Quando Mexia vem, com a candura de uma criança que por ter feito os deveres tem direito a comer um chupa, dizer que como cumpriu os objectivos que os accionistas propuseram que tem direito a estes bónus acho que o resto dos trabalhadores da EDP devem ficar no mínimo nauseados e deixar que fosse Mexia e a sua trupe a arranjar os contadores quando estes avariam, a colocar os cabos de alta tensão e a fazer todos os outros trabalhos que os restantes empregados fazem, já que ao que parece se os objectivos da empresa são cumpridos graças a ele então assim ao menos justificava o dinheiro que ganha e ainda poupava aos abençoados accionistas os ordenados dos restantes trabalhadores.
A história do cumprimento dos objectivos é tão mais escabrosa uma vez que a EDP opera em monopólio, ou seja, não tem concorrência. Todos nós de uma maneira ou de outra temos de lhes pagar.
O pior é que não é só na EDP que isto se passa, passa-se na PT onde os 2,5 milhões recebidos por Zeinal Bava davam para construir quatro escolas, passa-se na Galp e em muitas outras, onde aparecem "artistas" sem qualquer "curriculum" sem ser o das "jotas" partidárias que se arvoraram no direito de receber 1,5 Milhões de Euros como Rui Pedro Soares recebeu na PT.
Já consideraria isto grave num país como Portugal se de empresas privadas se tratasse, mas em empresas cujo Estado tem participação nem tenho palavras.
Já sei que o texto tem algo de "populista", assim seja. Se ser populista é defender a justiça, a equidade e sobretudo transparência e verdade pois então eu sou do mais popularucho que existe.
Para concluir: como digo no título, alguém nos anda a mexer nos bolsos e o pior é que nós deixamos.

Tuesday, December 1, 2009

Worten sempre (ou não).

Não, apesar do título não vou reclamar de nada que a Worten me tenha vendido, como quem me conhece já deve ter pensado, dado o meu azar crónico com os bens que compro, ser bem conhecido. Acontece que ao pagar o última artigo que adquiri na referida Worten, foi-me proposto arredondar a conta a favor de uma qualquer instituição de solidariedade social da qual não me recordo o nome e também não interessa para o caso.
Imaginem que adquirem um artigo no valor de 9,90€, a proposta é pagar-mos 10€ e os 0,10€ da diferença revertem a favor da dita instituição. Quando me foi proposta esta situação, imbuído no espírito natalício, acedi. Fui no entanto a caminho de casa a matutar no assunto. Pensei cá para comigo: uma empresa tão grande, que no primeiro trimestre de 2009 registou um crescimento de 16% na área do retalho especializado (na qual está incluída a Worten), com um volume de negócios 1.264 milhões de euros (mais 4,9% face ao primeiro trimestre de 2008), o que mostra que a empresa apesar da crise continua a apresentar resultados bastante positivos. Não deveria ser ela própria se realmente quer ajudar os mais pobres a abdicar de 0,10€ ou um outro qualquer valor, da sua margem de lucro, que suponho ser mais elevada por artigo que este valor?
Acontece que nós de uma forma irreflectida, contribuímos, até porque 0,10€ não custam a dar a ninguém. No entanto, reparem na estratégia de marketing brilhante: a empresa não tem qualquer tipo de despesa, e passa por boa samaritana aos olhos do povo o que sem dúvida contribui para uma imagem positiva, hoje tão importante na área do retalho.
A responsabilidade de uma empresa da dimensão da Sonae, passa não tanto por dar contribuições estéreis e pontuais, deveria de começar isso sim, pelos próprios colaboradores que trabalham por turnos, domingos e feriados, por pouco mais que o salário mínimo.
Poupem-me!

Mário Lima

Thursday, October 29, 2009

Correndo o risco de ser repetitivo...

Já sei que já escrevi acerca deste tema. Já sei que já devem de estar fartos de ouvir, de ler e de ver o ataque aos ricos por partes dos pobres, até já sei que corro o risco de ser acusado de estar a ser populista, reaccionário e até demagógico, sinceramente, não me importo!
Escrevo mais uma vez acerca dos espectáveis acertos salariais que prevêem o aumento do salário mínimo para 500 € mensais até 2011. E escrevo porque mais uma vez o 3º banqueiro central mais bem pago do mundo, apenas os governadores dos bancos centrais de Hong Kong e de Itália ganham mais. Sim, o 3º é o nosso querido Vitor Constâncio, governador do Banco de Portugal que veio mais uma vez pedir aos empresários contenção nos aumentos salariais para o próximo ano.
A ajudar à festa, veio um outro "pobrezinho", de seu nome Francisco Van Zeller, presidente da CIPl dizer que as empresas não irão aguentar os referidos aumentos até ao ano 2011. Confesso não ter percebido a sua intenção, mas o Sr. lá explicou que é devido às exportações que irão baixar devido aos aumentos salariais, deu ainda como exemplo países como a China e a Turquia, e aí sim, eu percebi o que o Sr. pretendia...
Já não vou recalcar novamente o que já escrevi num "post" anterior acerca do que penso destes Srs.
Penso ser urgente repensar o modelo social que queremos para Portugal. Uma política baseada em baixos salários será num prazo de 10 anos incomportável para o país, uma vez que neste momento os nossos salários são demasiadamente altos para competir com os favoritos do Sr. Van Zeller, China e Turquia entre outros, e demasiado baixos para que o povo aguente muito mais tempo. Veja-se os casos recentes dos encerramentos da Delphi na Ponte de Sôr e na Guarda entre tantos outros. Estes encerramentos não são apenas devido à crise, mas também na fuga para mercados com salário mais baixos.
É urgente uma aposta concreta na educação e na formação (a sério) das camadas mais jovens, e uma aposta concreta na criação de marcas portuguesas que possam competir pela qualidade e não pelo preço.
Sectores em que somos de facto bons como por exemplo nos vinhos, no calçado, no turismo entre outros devem de ser encarados de forma a levar à criação de "clusters" de produção que levem a uma constante inovação e criação de produtos inovadores.
Apenas através de uma economia baseada na qualidade poderemos almejar a deixar de ser explorados pelos Constâncios e Van Zellers deste país. Agora, não esperem que sejam eles ou o governo a fazê-lo, já que não o fazem faça-mo-lo nós!

Mário Lima

Sunday, July 19, 2009

Estado para que te quero?!

Como é sabido a grande maioria das nossas empresas não consegue apresentar índices de competitividade minimamente satisfatórios. Muitos são os factores que a isso levam, alguns estão perfeitamente identificados, outros nem por isso, O factor do qual vou falar parece-me perfeitamente identificado, já a sua solução continua por encontrar, e desconfio que assim continuará.
Temos um Estado demasiado omnipresente em todos os sectores da nossa sociedade, e em particular nas nossas empresas. Não importa se são grandes ou pequenas, todas elas dependem de forma directa ou indirecta do Estado. Se umas têm o Estado como credor principal, outras têm o Estado como devedor, até aqui tudo certo. O problema é que em Portugal ainda ninguém decidiu muito bem para que servem as sucessivas intervenções do Estado nas empresas, nem o próprio Estado sabe muito bem qual é o papel que deve de desempenhar, se o pai extremoso que dá dinheiro ao filho para que não lhe falte nada, ou o do pai ausente que prefere deixar o filho seguir o seu caminho e aprender com os erros cometidos.
Quando a economia se encontra bem de saúde - OK!!! Pronto, por cá nunca se encontra realmente de saúde - reformulo, quando as coisas estão melhor, vemos todos os empresários a dizer que o Estado não serve para nada e que devia de deixar de se meter na economia e deixar o mercado actuar livremente. Agora que as coisas estão como estão, são os mesmos que reclamam de forma indignada mais apoios para as empresas e que o Estado não se pode esconder das suas responsabilidades. O problema é que o Estado é o primeiro a pôr-se a jeito, uma vez que não tem uma linha de pensamento coerente em relação a esta matéria, veja-se os recentes casos BPN e BPP casos relativamente semelhantes e com tratamentos tão diferentes.
Sou da opinião que as empresas têm de ser capazes de gerar receitas suficientes para se manterem activas sem qualquer intervenção estatal. Aceito como bons os apoios à criação de empresas onde por vezes me parece mais importante a desburocratização de processos e a simplificação fiscal do que o apoio financeiro puro (não que este não posssa existir), mas este apoio deve de terminar logo que a empresa se encontre implementada.
O que temos neste momento é que muitas das empresas a operar em Portugal não são capazes de sobreviver sem o apoio do Estado não representando assim nenhuma mais valia para nossa economia.
É urgente repensar o papel que o Estado deve desempenhar e o peso exacto que este deve ter na nossa economia, pois na minha opinião, estamos a criar um ciclo vicioso que permite haver empresas inúteis a trabalhar não permitindo que surjam algumas que queiram de facto ser independentes e competitivas.


Mário Lima

Sunday, July 5, 2009

O "Mafarrico"

O gesto que Manuel Pinho fez no debate acerca do estado da Nação até teria tido piada se não tivesse sido feito em plena Assembleia da República, aliás, pensado melhor até assim teve uma certa piada, a começar pela expressão do Ministro, que transformou o debate numa qualquer discussão de café (bem, se calhar não é de café mas sim de tasca). O Ministro, perdão, Ex. Ministro, dizia para Bernardino Soares "vocês têm é dor de corno, pois é...", e como achou que a frase não era suficientemente explicita fez o já icónico gesto.
O sucedido, ao contrário do que se tem por aí dito, representa mais uma vitória do PS sobre o PSD, na medida em que o deputado social democrata, o tal da barbinha, (digo da barbinha, porque já não me consigo lembrar do nome dele), mandou um outro deputado do PS, "Pó Caral...". Faltou-lhe no entanto o clássico manguito (ninguém me tira da cabeça que se ele tivesse feito o manguito que eu me ia lembrar do nome dele).
Se juntar-mos a isto os constantes insultos camuflados de troca de ideias, em que se chamam mentirosos uns aos outros, entre muitos outros mimos, percebemos porque é que numa altura de crise se gastaram tantos milhões de euros (3.172.266€ nas obras, 819€ para reforço sísmico - nisto foram poupadinhos e 500.000 em equipamento informático), é que desta forma vão conseguir esconder do povo a única coisa que até aqui não conseguiam, a falta de educação, elevação e infelizmente não poucas vezes, de relevância para a Nação, do debate que os 230 deputados democraticamente eleitos conseguem ter. De que forma? Fácil, usam o messenger, o Twitter os blogues, etc. Vão poder filmar e fotografar os opositores se estiverem... sei lá... a tirar macacos do nariz, a dormir, etc. e vão poder transmitir estas belas imagens em tempo real no You Tube, facebook, hi5.
Ah, como é bom saber que temos o parlamento mais moderno da Europa...

Mário Lima

Wednesday, July 1, 2009

Justiça televisiva.

Após o caso Sargento e o caso Alexandra, temos agora o caso Martim. Se é verdade que à primeira vista o denominador comum destes três casos são as crianças, existe um outro, o da justiça televisiva, ao vivo, em directo e a cores.
A televisão já fez os seus julgamentos, constituiu os seus réus e condenou os seus culpados, sem contar todos os factos e sem direito a defesa por parte dos acusados.
O mais preocupante nestes casos é a sensação que se criou na nossa sociedade que a SIC ou a TVI são mais eficazes na resolução dos nossos problemas do que qualquer tribunal. Quando assim é, de facto algo vai mal na nossa justiça se é que ela pode existir nestas condições.

Mário Lima

Monday, April 27, 2009

Investimento público

Numa altura em que parece que só se fala de crise, o governo vem quase todos os dias anunciar um novo investimento público, um aeroporto ali, um TGV aqui, uma auto-estrada acolá...
Sem querer entrar na discussão da real utilidade destes investimentos, deixo a pergunta no ar, não haverão nesta altura investimentos não só mais baratos como mais úteis?
Sou da opinião que apesar dos tempos difíceis que atravessamos e vamos continuar a atravessar, esta seria uma óptima oportunidade para traçar um plano a longo prazo que envolvesse os três pilares fundamentais de um país, a educação, a saúde e a justiça. E seria uma óptima oportunidade na medida em que nesta altura nenhum português de bom senso exigiria mais uma auto-estrada ou mais uma ponte sobre o Tejo. Estas reformas seriam obviamente mais estruturais do que infra-estruturais, ainda que aqui e ali sejam necessárias mais escolas, hospitais e tribunais, ou a remodelação dos existentes.
Enquanto os nossos governantes não perceberem que o país só pode evoluir se os próprios portugueses evoluírem também, nunca chegaremos a lugar algum. Esta evolução não se consegue andando mais depressa de um lado para o outro (ainda que isso seja importante). De nada me serve conseguir chegar depressa ao hospital se depois vou estar horas à espera para ser tratado e por vezes mal, não conhecendo os meus direitos e os meus deveres enquanto cidadão e não os podendo fazer valer quando são atropelados.
Defendo esta solução apenas quando encontrado um concensso a nível geral, que não seja hipotecado pela subida ao poder de um novo governo.
O caminho não será no entanto este, e até lá, já os nossos netos estarão a pagar a factura dos incompetentes que dos vários quadrantes se têm governado e (des)governado o país.

Thursday, January 1, 2009

Um ano de 2009 diferente!

Que o novo ano em que já estamos, possa trazer a todos um mundo mais justo, mais fraterno, mais igualitário e mais solidário.
Que nos traga melhores contas públicas, menos dívida externa, e acima de tudo uma governação mais responsável e mais justa para todos.
Que a crise apesar de ser real, não sirva de desculpa para encobrir mais trapalhadas.
Tenho a certeza que "sim, pudemos!"

Bom ano novo para todos.

Mário Lima

Saturday, November 22, 2008

Corar de vergonha.

Nos últimos tempos em que quase não se tem falado de outra coisa a não ser da crise que se vem instalando um pouco por todo o mundo fora, têm também, quase diariamente surgido figuras ou entidades, com um elevado grau de responsabilidade na gestão do país a proferirem frases que me levam a concluir que perderam completamente a já pouca vergonha que ainda possuíam.
Dois exemplos, a propósito do aumento do ordenado mínimo, Augusto Morais, presidente da Associação Portuguesa de PME's, proferiu a seguinte afirmação: “A Associação não se vai manifestar, mas vai determinar junto dos associados que não renovem os contratos, o que significa que o primeiro-ministro vai ter uma aumento do desemprego”. Desta frase podemos então retirar duas coisas, que as PME's portuguesas não são minimamente competitivas, uma vez que não gera receita suficiente para conseguir cobrir a "enorme" despesa que significa um aumento de 24 Euros mês num universo na melhor das hipóteses de 250 trabalhadores (limite máximo de trabalhadores de uma média empresa), e assim sendo têm de fechar as portas. Por outro lado o mais provável é que o próprio Augusto Morais na empresa que gere ande a ser demasiado bem pago e que por isso a empresa não aguente o esforço de aumentar quem produz para que o mesmo possa auferir o seu rendimento.
De referir que a própria líder da oposição se manifestou contra este aumento, o que me leva pela primeira vez a ponderar seriamente o meu habitual sentido de voto.
Para completar o ramalhete, o Banco de Portugal, presidido por um tal de Vítor Constâncio, que aufere um rendimento mensal de cerca de 17.000 Euros, considerou que um dos principais factores do desemprego de longa duração é o excesso "generosidade" do subsídio de desemprego.
Consideremos então o seguinte: no máximo, o subsídio de desemprego pode ir até aos cerca de 1200 Euros mensais, mas na verdade, cada português que usufrui deste rendimento aufere em média cerca de 500 Euros/mês. Ora, se Vítor Constâncio auferisse 500 Euros/mês como um outro qualquer cidadão deste país que onde ninguém governa mas muitos se vão governando, talvez compreendesse o que todos nós passamos para pagar as contas e evitasse que a inútil instituição a que preside dissesse barbaridades como esta.
Novos episódios se seguirão, querem apostar?

Mário Lima

Wednesday, October 8, 2008

Crise

Já comecei este "post" por quatro vezes e ainda não consegui encontrar as palavras certas para falar deste tema.
O tema é complexo e existem milhões de pessoas no mundo com muito mais competência e saber do que eu para falar nestas coisas. No entanto não consigo deixar de dar mais uma colherada para o muito que se tem dito e escrito acerca do tema, mesmo correndo o risco de ser repetitivo.
As políticas de capitalismo selvagem e de cariz neo-liberal tornaram o mundo num sítio pior para se viver. Vivemos actualmente num mundo em que o dinheiro existente circula por cada vez menos pessoas, o que levou a um estrangulamento da economia com as consequências que se conhecem e que não vale a pena enumerar.
As empresas que têm lucros imorais, são as mesmas que pagam salários miseráveis aos seus empregados e os acusam de serem improdutivos ,sem terem ao menos a decência de investir uma parte destes lucros para tornar as empresas mais competitivas, o que interessa é engordar ainda mais as contas dos accionistas enquanto a empresa aguentar, quando deixar de aguentar, fecha-se a porta e assunto resolvido.
Com governos mais preocupados com os empresários que os elegem do que com a população que juraram servir, caminhamos a passos largos para o abismo e ao contrário do que dizia o saudoso João Pinto a decisão correnta não é dar um passo em frente, mas sim muitos atrás.
O caso dos Estados Unidos é disso exemplo. Um sistema que permite que os mesmos gestores que levaram os principais bancos à falência durante a sua gestão, ainda recebem prémios bilionários de desempenho. Quando isto acontece algo de estranho se passa no mundo.
O chamado plano Paulson, é aparentemente a única forma de salvar o actual sistema, uma vez que vai reolver os problemas de falta de liquidez com que os principais bancos se debatem. Da minha parte, temo que se trate mais de um passo em frente do que de muitos atrás, na medida que a mensagem que corre o risco de passar é: continuem, quando voltar a correr mal (e vai voltar a correr mal), cá estaremos para vos dar a mão.
É urgente que os centros de poder e de decisão façam uma reflexão profunda e pensem o rumo que querem dar ao mundo, caso contrário terá de ser o povo a dizer basta!

Mário Lima


Monday, September 22, 2008

Trinta anos.

Fiz ontem trinta anos... Começo a sentir cada vez mais a ferrugem que torna perras as engrenagens. Começo cada vez mais a sentir o peso da responsabilidade de cada vez ser mais "adulto".
Aos trinta, sente-se que já se fez tudo sem na realidade ter feito ainda nada.
Esta é que é realmente a chamada sensação de absorção ao contrário.
Mas para quê tanta treta?! O sentimento dos trinta é exactamente igual ao dos vinte e nove, com a diferença de ter um ano a mais... Na verdade nunca me senti em tão boa forma. Vou correr!!

Mário Lima

Monday, August 18, 2008

O pequeno grande Marco

Desde os meus tempos de miúdo, em que religiosamente me sentava no sofá, para ver as aventuras do Marco e da Heidi nas alvas montanhas dos Alpes Suíços, que não me divertia tanto com um tipo chamado Marco. Quem tem estado atento aos Jogos Olímpicos de certeza que já percebeu a que Marco me refiro, sim, claro que estou a falar do nosso lançador de peso, Marco Forte.
É verdade, o nosso Marquito voltou de Pequim com as mãos a abanar, e segundo o próprio, o principal motivo foi, imagine-se... a prova ter decorrido de manhã. É verdade, ao que parece o nosso herói não "funciona" de manhã, e como o próprio admitiu, "... Àquela hora o corpo quer é caminha." E ainda "...o primeiro lançamento até correu bem, mas depois, com o passar do tempo, as pernas começaram foi a pedir cama."
Eh pá, eu sinceramente acho que o homem merecia de facto ganhar uma medalha, só quem nunca acordou de manhã cedo para ir trabalhar é que não consegue compreender o drama do homem. Digo mais, deviam de dar duas medalhas ao rapaz, a primeira pelo esforço quase heróico, e a segunda, pela justificação de fracasso mais plausível, pelo menos não veio com a choradeira do costume, os árbitros que prejudicam sempre de propósito o nosso país, e com o clima que era mau, etc. Dar-lhe-ia ainda, o prémio "fair-play", porque é de assinalar o ar simpático e até bonacheirão com que o nosso rapaz encarou o não apuramento para a final, atitude que só está ao alcance dos grandes campeões...
O homem além disto tudo conseguiu ainda acrescentar um toque de humor e boa disposição à autêntica tristeza que tem sido a participação portuguesa nestes Jogos Olímpicos. (Valha-nos Sta. Vanessa.).
Por tudo isto, e mais alguma coisa que me tenha esquecido de dizer, bem hajas Marco...

P.S. Estás cheio de sorte, o C.O.I. acaba de anunciar que todas as provas de lançamento de peso nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, decorrerão durante a tarde, e aí Marco, aí, vais puder brilhar em... força!

Mário Lima

Sunday, August 3, 2008

Farto das melgas

É verdade, hoje, e para descontrair, vou-vos falar do bicho que de toda a vasta fauna habitacional, nas quais se incluem ratos, baratas, moscas, ácaros, bactérias, etc. é o que mais me impressiona, a melga.
E impressiona-me porquê? Perguntam vocês.
Existirá algum felizardo no mundo que não tenha ainda passado uma noite em claro por causa delas? Existirá alguém neste planeta que nunca tenha sido vilmente atacado à traição, na calada da noite por estas "chupistas" excitadas? Concerteza que não, facto que revela uma enorme capacidade de mobilização para um animal tão pequeno.
No entanto, o que mais me impressiona no bicho, é que ele tem a maior pontaria e intuição do reino animal. Já repararam como apenas uma melga tem a capacidade de num enorme quarto às escuras acertar sempre em cheio no ouvido de um gajo?! E já repararam como além de conseguir acertar no ouvido, ela ainda consegue acertar no exacto momento em que um gajo está praticamente a dormir?! Gaita!!!!
Se eu tivesse a pontaria das melgas, a esta hora estava a arranjar um edema pulmonar no "smog" de Pequim enquanto papava mais medalhas que a Vanessa Fernandes, em qualquer disciplina que implicasse acertar com algo em alguma coisa... Eh eh eh, desculpem a redundancia.
Ah, já repararam que um bicho tão pequeno consegue "aleijar" tanto?? Não?! Então experimentem a ter uma melga a "zumbir" ao vosso ouvido e de seguida tentem matá-la... Pois é, para a próxima levantem o rabo da cama e usem insecticida.
Já repararam no vasto arsenal bélico que o bicho possui com o exclusivo intuito de nos chatear? Se não nos acordam, mordem-nos, se não nos mordem magoam-nos, enfim... E se tivermos a sorte de escapar incolumes às suas investidas nocturnas, é mais que certo que elas só por vingança de não nos terem conseguido acordar, deixam-nos como recordação, enormes "babas" para passarmos o dia a coçar e a lembrar-nos que não temos forma de as vencer.
E enfim, aqui fica a minha modesta homenagem àquele que considero o animal mais chato do mundo e que ninguém me tira da cabeça que o único objectivo que tem na sua miserável existencia é realmente chatear-nos.
Desejo-vos uma boa noite.
Ah, já me esquecia, liguem os insecticidas electricos.

Mário Lima

Tuesday, July 29, 2008

Quintas & quintais

Os recentes acontecimentos na Quinta da fonte, no concelho de Loures, e agora mais recentemente na minha terra, Abrantes, vieram relançar o debate acerca dos problemas sociais que vêem assolando o país nos últimos anos, nomeadamente a questão do rendimento de inserção social, mais conhecido por rendimento mínimo.
A atribuição desta prestação social foi desde sempre contestada quer por partidos dos vários quadrantes, quer pela grande maioria dos cidadãos anónimos.
Devo desde já esclarecer que sou favorável à atribuição deste tipo de prestação social. É de facto um dever do Estado prestar auxilio às classes mais pobres e mais desfavorecidas dentro da medida do possível.
A atribuição deste tipo de prestações sociais, quer sejam o rendimento de inserção social quer a atribuição de habitação social, deverão obedecer a critérios rigorosos e verificáveis na sua veracidade por quem de direito, Estado ou autarquias.
Um outro ponto fulcral destas medidas é a criação de um código de conduta a ser cumprido pelas pessoas que usufruem destas ajudas, tal código de conduta deveria ter em conta em primeiro lugar o pagamento atempado das rendas, contas de luz, água, telefone, gás, etc. E acima de tudo não poderia permitir de modo algum que pessoas a contas com a justiça, ou com comportamentos sociais inaceitáveis em nenhum cidadão, sejam beneficiárias de qualquer ajuda estatal.
Ao não tomar este tipo de medidas, o Estado arrisca-se a ser um financiador de criminosos.

Mário Lima

Friday, June 13, 2008

"Il Stronzo speziale"

Infelizmente somos um país de tipos "porreiros pá..."
Se não fossemos, os jornalistas portugueses presentes na apresentação de José Mourinho como novo treinador do Inter de Milão ter-se-iam levantado deixando-o a "parlare" sozinho como os seus novos amigos.
Já o ar com que responde ao jornalista português na língua italiana dizendo que só fala italiano foi de mau gosto mas, ter-se-ia até desculpado, não fosse ele ter respondido (em inglês) a um jornalista inglês que o interpelou.
Mourinho com isto demonstrou ser um personagem totalmente desprovido de carácter e sobretudo dos mais básicos conceitos de boas maneiras.
Infelizmente, esta vedeta vai continuar a merecer grande destaque por parte da comunicação social portuguesa, vai continuar a ter honras de abertura de telejornais e presentear-nos com a sua falta de elegância.
Esqueceu-se que não nasceu nem rico nem famoso, mas que nasceu português.

Mário Lima

É preciso ter lata...

A propósito da participação ou não participação do F. C. do Porto nas competições europeias de futebol, muito se tem escrito e muito se tem dito. Por um lado, os que defendem que sim, que o F. C. do Porto deverá poder participar, uma vez que conquistou esse direito dentro das quatro linhas, e que outros (Benfica) não o conseguiram, e por isso não merecem ocupar esse lugar. Ora, de um ponto de vista pouco reflectido isso é a pura das verdades.
De um ponto de vista mais reflectido, pergunto: ficaram ou não provadas as tentativas de corrupção por parte do F. C. do Porto a um árbitro? É que sinceramente, o que mais me choca é que nunca ninguém ligado ao F. C. do Porto desmentiu estes factos, têm sim, escudado-se em meras questões processuais que possam permitir ao clube competir este ano na Europa, e num suposto "complot" benfiquista contra eles.
Do ponto de vista processual, não sendo jurista, não tenho uma opinião formada acerca da justeza ou não, de uma eventual exclusão do clube. Já do ponto de vista moral, parece-me tremendamente injusto que um clube que corrompe e não o nega, não seja penalizado, transmitido desta forma a mensagem de que o crime compensa.
Quantos foram os milhões ganhos pelo F. C. do Porto na Liga do Campeões no ano a que se reportam os factos? Esse dinheiro terá ou não servido para o reforço da equipa de futebol no ano seguinte, criando desta forma um efeito bola de neve. Isto constitui um grave caso de concorrência desleal para com os outros clubes.
Choca-me também que a maioria dos ditos "opinion makers" e comentadores se estejam a virar contra o Benfica por defender junto da Liga e da Uefa a exclusão do F. C. do Porto. Parece que o crime do Benfica é ainda muito pior do que a tentativa de corrupção do clube portista.

Mário Lima

Friday, June 6, 2008

A encruzilhada de Sócrates

Quando o governo em mais uma demanda populista dos aflitos, decidiu baixar a taxa de IVA dos 21 para 20%, já deveria estar a prever aquilo que toda a gente (menos ele) estavam a prever, o constante aumento do preço dos combustíveis.
Sendo certo que não cabe de forma alguma ao governo a fixação dos preços dos produtos petrolíferos, é no entanto, o governo que cobra impostos sobre os mesmo. O que aconteceu a Sócrates, foi a sua mais infeliz jogada política, ao anunciar a descida da taxa de IVA, perdeu qualquer margem de manobra que poderia ter para mexer na taxa do ISP ou de IVA sobre os produtos petrolíferos.
Neste momento, não pode recuar na sua decisão e trocar uma medida por outra.
A contestação aumenta. E neste momento estou curioso para ver como vai ser a reacção do governo. Vamos ver, com as eleições à porta, e Sócrates a baixar cada vez mais os seus índices de popularidade, até quando vai o governo resistir à tentação de mexer nos impostos dos combustíveis.
Neste momento a questão que se coloca nos seio do governo é: mexer nos preços dos combustíveis e ganhar as eleições, mas deixando desta forma as finanças públicas novamente de rastos; ou manter os impostos dos combustíveis, minimizando os perigos para as finanças públicas da baixa do IVA, mas perder as eleições.
Sócrates tem a palavra...

Mário Lima

Saturday, May 24, 2008

PSD vs. Manuela Moura Guedes

O debate de ontem entre os candidatos à liderança do PSD, transmitido pela TVI, inserido no Jornal Nacional e "supostamente" moderado pela jornalista Manuela Moura Guedes, constitui um dos mais deprimentes espectáculos politico-televisivos dos últimos tempos.
Entre os candidatos, apenas sobressaíram pela positiva, Manuela Ferreira Leite e o surpreendente Pedro Passos Coelho, a velha e a nova escola em confronto directo.
E sobressaíram, por terem sido capazes de fazer aquilo que cabia à jornalista, ou seja, moderar o debate, mas já lá vamos.
Manuela Ferreira Leite, muito igual a si própria, num registo calmo e sereno, sem medo de assumir algumas ideias à partida impopulares, mas sempre dentro da linha de coerência a que nos habituou.
Já Pedro Passos Coelho, defensor de uma política mais liberal, com tudo o que de bom e de mau o termo traz, mas capaz de falar de uma forma clara, o rumo que traçou para a sua campanha e para o país.
Estes foram os únicos candidatos que souberam aguardar a sua vez para falar e nunca se exaltaram ao serem constantemente interrompidos por Patinha Antão e por Pedro Santana Lopes. O primeiro, uma desilusão, esperava mais de uma personalidade do seu calibre. Nunca foi capaz de explicar o projecto que tem para o país e a para o partido, limitando-se a debitar uma série de lugares comuns pouco fundamentados. Já Santana Lopes é aquilo a que sempre nos habituou, charmoso, com um discurso fácil de assimilar, mas sem trazer nada de novo.
Já a nossa Manuela Moura Guedes deu uma triste demonstração de como não se deve fazer jornalismo. Extremamente preocupada em centrar as atenções sobre si própria, gesticulando constantemente, não conseguindo sequer ficar quieta na cadeira, interrompendo constantemente os convidados, na grande maioria das vezes para opinar ou colocar questões completamente acessórias. Eu diria que contabilizados os tempos usados para o debate que conseguiu falar quase tanto como os seus convidados.
Com a carreira e a experiência que tem, não tinha a mínima necessidade de se colocar a naquela posição.

Mário Lima

Friday, May 23, 2008

Surpresa

Andava eu entretido a fazer umas pesquisas na internet para um trabalho da escola, quando, para grande surpresa minha, me deparo com uma citação no "site" brasileiro do "recanto das letras", acerca de um "post" antigo que aqui escrevi sobre a escritora britânica Doris Lessing.
De facto, não se trata de nada de especial, mas a ideia que alguém do outro lado do Atlântico leu algo que escrevi é uma sensação agradável.
Em suma, fiquei contente... Foi realmente uma surpresa bastante agradável que vale o que vale, mas teve o condão de me deixar bem disposto.
Fica aqui o link para o referido site:

Sunday, May 18, 2008

Rui Costa

Como já devem ter reparado, não tenho por hábito deixar aqui "links" para sites, ou vídeos, no entanto, vou abrir uma excepção e deixar-vos aqui o link do site do jornal "Expresso", ao qual Rui Costa concede uma extensa, porém muito interessante entrevista, onde conta algumas histórias da sua carreira, fala do seu amor ao Benfica, à sua família e das suas ideias para o futuro do Benfica. Enfim, mostra a outra face para além do jogador de futebol que estávamos habituados a ver na televisão enquanto jogador.
A entrevista parece-me importante, ainda para mais numa altura em que muito se decide acerca do futuro do clube.
Rui Costa mostra ser um homem com ideias claras acerca do quer e para onde vai. Mostra um discurso coerente e articulado, sem querer ser politicamente correcto e acima de tudo sem fugir às questões que lhe são colocadas.
Um artigo que penso não só os admiradores de Rui Costa e do Benfica devem ler, mas também todos os amantes de futebol.
Aí vai então "link" para a entrevista.

Entrevista de Rui Costa ao "Expresso", 18/05/2008

Mário Lima

Sunday, May 4, 2008

IVA

A anunciada descida do IVA não augura nada de bom para a nossa frágil economia e muito menos para os nossos depauperados cofres públicos.
Desengane-se quem pensa que a partir de Julho, vai pagar os bens que diáriamente consome, mais baratos (lembram-se dos ginásios?). Não só nenhum comerciante se dará ao trabalho de fazer os devidos ajustes aos preços dos bens por si comercializados, como também a fazê-lo, a diferença só seria perceptível na aquisição de bens de valores mais elevados. E é aí que reside o erro, pois o que para nós não trará qualquer benefício ou muito poucos benefícios será um autêntico desastre para as finanças públicas, uma vez que os preços manter-se-ão, e o Estado arrecadará menos, com claro prejuízo para o tão malfadado défice.
Esta factor torna-se tão mais grave uma vez que sabemos que o actual défice de 2,6% foi exactamente alicerçado num aumento da receita fiscal e não na redução da despesa pública nacional que infelizmente tem vindo a aumentar de ano para ano. Mas deixo isso para um próximo "post".
A descida de apenas um ponto percentual na taxa do IVA de 21 para 20% vai apenas beneficiar os propósitos eleitoralistas deste governo. Nem se pode falar aqui num incentivo ao consumo. Poderia existir esse incentivo se tivesse havido coragem de colocar o nosso IVA a 16% em paridade com a vizinha Espanha, tornando desta forma as nossas empresas mais competitivas face às empresas espanholas e aí sim incentivando uma maior procura por todo o tipo de bens por parte dos consumidores. Estou certo que uma medida deste tipo traria uma nova dinâmica essencialmente comercial, e com grandes benefícios para o interior do país, pois traria não só mais consumidores espanhóis ao nosso país, como resgataria os consumidores portugueses que neste momento gastam o seus ordenados do outro lado da fronteira.
No entanto, para que isto fosse possível seria necessário um equilíbrio consolidado das contas públicas que ainda não existe neste momento, porque como já referi teria de ser feito um enorme esforço no controle da despesa pública que neste momento não existe (TGV e novo Aeroporto irão fazer disparar a despesa no futuro).
Sócrates toma esta decisão numa altura em que se começa a perceber que a maioria absoluta em 2009, já será difícil de conquistar, e o próprio poder, não se encontrando para já em perigo, começa já a dar alguns sinais de fraquejar. E não fraqueja mais, porque que as alternativas quer à esquerda, quer à direita não se afiguram, para já, de facto melhores que Sócrates.

Mário Lima

Monday, April 21, 2008

Acordo ortográfico

Ponto prévio: nada tenho contra alterações que possam vir a ser feitas na língua portuguesa, sejam elas orais ou gramaticais.
A maneira como os povos comunicam tem sofrido as mais variadas alterações ao longo da história, tornando a língua num organismo vivo e por isso mesmo, mutável.
Uma demonstração disso, é compararmos um texto escrito por José Saramago no séc. XXI com um outro escrito por Gil Vicente, no séc. XVI.
É no entanto preocupante a tentativa de homogeneização da nossa língua, não só por me parecer uma clara submissão aos interesses brasileiros mas, sobretudo acabar com a diversidade entre a cultura linguística de cada um dos povos que falam a 5ª língua mais falada do planeta.
A beleza de uma língua está na diversidade da forma em que os vários povos a interpretam e a adaptam à sua cultura e ao seu modo de vida.
A língua portuguesa foi um importante legado deixado aos povos dos oito países em que o português é língua oficial, não sendo no entanto propriedade exclusiva nem de portugueses, nem de brasileiros, como este novo acordo quer fazer crer.
Com isto não quero dizer que tudo esteja bem no que à nossa língua diz respeito. De facto não está. É cada vez mais preocupante a quantidade de produtos que adquirimos nos supermercados e em outros locais, com rótulos em língua estrangeira, nomeadamente em espanhol. A solução, não passa no entanto em adaptar o modo como falamos ao modo brasileiro, de forma a beneficiarmos do facto de existirem cerca de 180 milhões de brasileiros, -in: http://www.brasil.gov.br/pais/sobre_brasil/- o que justificaria um investimento na tradução de rótulos de embalagens, software, manuais de instruções, sites da Internet, etc.
A solução para esse problema não passa na minha opinião por nos adaptarmos à sua forma de falar mas sim, pela consciencialização de todos nós para o facto de ao adquirirmos um qualquer produto temos não só o direito mas também o dever de exigir que esse mesmo produto seja devidamente traduzido para Português, caso contrário devemos deixar bem claro e por escrito o facto de um produto não vir traduzido.
A salvação da nossa forma não só de escrever e falar, mas também de pensar e sentir o português, depende do grau de exigência que nós próprios tenhamos para com a língua, e cada um de nós deve de pensar se prefere lutar pela nossa língua e pela nossa individualidade enquanto povo ou se por outro lado prefere assobiar para o lado e deixar que nos digam como devemos de ser Portugueses a partir de agora.

Mário Lima

Friday, March 14, 2008

Poderá o Benfica ainda ser salvo?

De facto pode. Não é fácil mas ainda pode ser salvo. E para ser salvo é preciso primeiro compreender o que de errado se está a passar dentro do Benfica.
As situações de que vou falar são apenas do ponto de vista de um adepto mais ou menos atento que não tem a pretensão de saber o que realmente se passa internamente.
Vou falar de casos genéricos e colocar questões mais ou menos óbvias que apesar de à partida poderem parecer de pequena importância, revelam, na minha opinião, uma gestão atabalhoada e pouco profissional.
1-Escorregadelas, sei que pode parecer ridículo começar por aqui, mas de facto é irritante ver os jogadores do Benfica escorregarem uma média de dez vezes por jogo. São escorregadelas a mais para ser só azar. Este facto revela que das duas uma, ou o Benfica não fornece aos seus jogadores o calçado adequado ou permite que jogadores sejam obrigados contratualmente a utilizar determinado tipo de equipamento que não se revela o mais adequado para determinados tipos de terreno. Qualquer uma das hipóteses é suficientemente má para uma equipa profissional de futebol;
2-Não se pode vender jogadores no final de uma pré-época (Simão e Manuel Fernandes). Um treinador monta uma estrutura que contempla utilização de determinados jogadores, se esses jogadores saem quando essa mesma estrutura já está montada todo o trabalho feito anteriormente é deitado fora, sendo necessário recomeçar tudo de novo;
3-Não se pode despedir um treinador à primeira jornada e depois pedir ao que vem que faça milagres com jogadores de fraca qualidade e escolhidos pelo treinador anterior;
3-O Benfica tem de acabar de uma vez por todas com os jogadores emprestados, que depois de jurarem amor ao Benfica acabam por sair por um motivo ou por outro, criando uma rotatividade indesejável no plantel de ano para ano (Miccoli, Alcides, Rodriguez, etc...);
4-As renovações ou não renovações de jogadores têm de ser resolvidas atempadamente, assumidas e explicadas de forma clara. Situações como as de Léo ou de Rodriguez este ano têm sido recorrentes nos últimos anos. Pode-se até discutir se os jogadores devem ou não ficar, mas que estes processos não têm sido bem conduzidos parece-me claro;
5-Aposta clara na formação. É preferível um mau júnior a ganhar pouco do que um qualquer outro jogador contratado a ganhar muito e a jogar pouco. Vamos a exemplos. Não terá o Benfica dentro das suas fileiras nenhum lateral melhor que Luis Filipe?! Não terá nenhum jogador melhor do que Maxi Pereira (digo jogador porque ainda não consegui perceber em, que sítio ele joga porque limita-se a correr (mal) em campo, é verdade que é esforçado, mas isso só não chega). Um exemplo muito concreto, Miguel Vítor é um jogador com muito mais classe e até tranquilidade a jogar do que Edcarlos, no entanto, Miguel Vítor é emprestado ao Aves e Edcarlos é titular.
Ainda acerca dos júniores, se repararem, quando um jogador de uma qualquer posição se lesiona, normalmente o seu substituto nunca é um jogador que jogue de raiz nessa mesma posição, os treinadores optam normalmente por adaptar um jogador de outra posição com os resultados que são visíveis. É preferível apostar num jovem que sem pressão e com a ajuda dos mais velhos pode perfeitamente entrar na equipa;
6-O reforço do plantel tem de ser cirúrgico, ou seja, comprar apenas um ou dois jogadores de qualidade para as posições deficitárias. O Benfica não pode continuar comprar jogadores fracos, para posições que não precisa, por atacado à boleia de empresários. Para isso é necessário a definição de um modelo de jogo à Benfica. A partir daí pode-se escolher um treinador em função desse mesmo modelo de jogo, de maneira a que se um treinador sair o que vier a seguir não obrigue desta forma a dispensa de jogadores e a compra de novos para o seu modelo de jogo;
7-É impossível aferir da real qualidade de um jogador em 2 meses. (Marcel, Kikin Fonseca, Bergessio, etc.). Os jogadores necessitam de mais algum tempo para renderem, sobretudo se se tratarem de estrangeiros. Se a aposta do Benfica passa por Sul Americanos tem de lhes dar mais tempo para a sua adaptação a uma nova realidade;
8-Investir num preparador físico de créditos firmados (eu voto num inglês), que não só ponha a equipa a correr mas que consiga que os jogadores se desenvolvam fisicamente (ganhem ou percam peso conforme os casos). Este último ponto é para mim da maior importância, façamos a comparação entre o tronco de jogadores como Zoro, Rui Costa e Rodriguez com Di Maria, Luisão e Nelson, e vejam as diferenças. É que os primeiros jogaram em outros campeonatos Europeus onde eram sujeitos a regimes de treino muito mais exigentes, os últimos fizeram o seu percurso maioritariamente em Portugal, com a excepção de Di Maria que ainda agora chegou.
Hoje em dia pare se ser um bom jogador de futebol não basta ter jeito para jogar à bola, é necessário poder de choque e de explosão e esses atributos conseguem-se através de treino de ginásio e não a jogar "peladinhas";
9-A diminuição do número exagerado de lesões musculares que grassam no Benfica, entronca no ponto anterior e a solução para esse problema afigura-se complexa, no entanto e sem ter as respostas a esta questão, deixo aqui algumas sugestões que podem passar por uma série de factores, como por exemplo: o comprimento da relva é o mais indicado? O calçado é o mais indicado? A alimentação é regrada e especialmente concebida caso a caso? O planeamento das cargas aeróbicas é feito caso a caso, ou é limitado a corridas e exercícios rudimentares de preparação física? Os jogadores fazem os períodos de descanso adequados?
Por outro lado, e lamento dizê-lo, mas os jogadores do Benfica parecem jogar sem estarem ainda totalmente recuperados totalmente das lesões anteriores, por esse motivo não tivemos esta época jogadores como por exemplo: Petit, Luisão, David Luis e outros;
10-Um outro factor que não contribui directamente para o sucesso desportivo mas que é um ponto que considero mais pessoal mas que aqui deixo para reflexão, é o facto de o patrocinador principal do Benfica ser o mesmo dos nossos principais rivais de alguns anos para cá. Em primeiro lugar, a camisola do Benfica por uma questão de orgulho não deveria ter nada que a identificasse com os outros. Este ponto é ainda mais grave por considerar que a marca Benfica tem um valor categoricamente maior que os nossos dois rivais juntos, até posso acreditar que a PT pague mais ao Benfica, mas não tenho dúvidas que um contrato de exclusividade traria muito mais benefícios a vários níveis;
11-Por último é necessário de uma vez por todas criar uma estrutura profissional no clube que defina claramente as hierarquias e manter essa mesma estrutura ao longo dos anos. Vieira pode ser um bom gestor mas por ser demagogo, populista e impetuoso nunca será um bom director desportivo. Se continuar a insistir em ser omnipresente deverá demitir-se.


Mário Lima

Friday, February 8, 2008

Cubanos e outros que tais.

Pois é, voltei! Vá confessem, afinal não tinham saudades nenhumas de me lerem. Bolas!
Agradeçam a minha pequena ausência aos exames, nomeadamente à porcaria da contabilidade que me está a dar pano para mangas, mas enfim... Ah, por falar em contabilidade, aproveito para deixar aqui um grande abraço ao Renato pelo apoio que me tem dado na minha nova conquista numérica. Não DEVE - HAVER mais ninguém com tanta paciência como ele.
Bem, mas chega de agradecimentos e justificações, vamos lá então ao que me trouxe aqui esta noite.
É com grande tristeza e sobretudo para as minhas delicadas narinas que tenho verificado que quando saio à noite a minha roupa continua a cheirar a tabaco quando chego a casa (quem é me me manda a mim sair).
Pois é, afinal como se costuma dizer: "a montanha pariu um rato". Para todos nós que almoçamos ou jantamos fora e não dispensamos a "bica" depois das refeições de certeza que já percebemos que afinal de contas está tudo praticamente na mesma, excepção feita para os pequenos cafés e para os centros comerciais.
Já nos bares mais frequentados à noite, a diferença desde a entrada em vigor da lei é de facto nula.
A tão propalada ventilação, se é que existe de moldes diferentes à que já existia anteriormente à lei, é completamente ineficaz. Não só continua a cheirar a tabaco dentro dos estabelecimentos como também deixa todos os frequentadores destes mesmos espaços com o que eu chamo de síndrome D. Sebastião, porque quando estamos sentados nos cafés e a porta abre o "nevoeiro" que está lá dentro é tanto que ficamos sempre à espera que o D. Sebastião entre e nos venha livrar do "Engenhocas" Sócrates. Infelizmente é muito nevoeiro e pouco D. Sebastião.
Parece-me sinceramente, que para fazer uma lei destas teria sido preferível não fazer nenhuma e deixar as coisas como estavam, porque se o objectivo era melhorar a qualidade do ar que respiramos, FALHARAM REDONDAMENTE!!
Para que a lei fosse de facto eficaz teria de ter havido a coragem política de proibir totalmente o consumo de tabaco nos espaços públicos fechados. Teria sido muito mais eficaz, e sobretudo muito mais justo para todos os proprietários dos estabelecimentos.
É que tenho a sensação que a nossa querida ASAE só trabalha de dia, pois só os estabelecimentos diurnos cumprem. Já os nocturnos... É que basta um não estar a cumprir para existir a reacção em cadeia no incumprimento. Se eu tivesse um bar e o meu vizinho deixasse fumar lá dentro eu concerteza que também deixaria fumar no meu bar sob pena de perder a grande maioria dos clientes que nestas coisas de sair à noite a maioria do pessoal fuma, mesmo os que não fumam regularmente por vezes atrás da cerveja e do uísque também fumam o seu cigarrinho.
Voltando à proibição total, é certo que os fumadores como o Miguel Sousa Tavares diriam que estavam a ser discriminados e etc.
Oh Miguel, a malta não te estaria a discriminar, estaria sim a discriminar o teu fumo e não a ti. Vou tentar explicar-te, tu até és advogado e devias de saber estas coisas, estarias a ser discriminado se não te deixassem entrar ou permanecer num determinado espaço público. Ora isso não acontece. Estão apenas a impedir-te de fumar nesse espaço, como aliás já é feito em vários outros espaços sem que tu tenhas dito as barbaridades que tens dito. Impedem-te de fumar como te impedem de entrar despido num sítio, no fundo vai dar ao mesmo. Ou seja o cidadão não está de forma alguma a ser descriminado, a nossa constituição está desta forma a ser respeitada, coisa que segundo o teu ponto de vista não estaria. Quem diz isto é na verdade um gajo que te admira (apesar de seres Portista), gosto dos teus livros e gosto das crónicas que escreves no "Expresso", e custa-me ouvir-te como dono da verdade a defender uma posição do meu ponto de vista indefensável. Não te tiro claro o teu direito à indignação. É por gostar de ti que te vou descriminar.
Ufa, andava com esta cá entalada há muito tempo. desculpem.
Para terminar, gostava de dizer que não sou anti-tabagista, afinal de contas já fumei e estou incluído no grupo da malta que quando sai à noite até gosta de fumar o cigarrinho com a cerveja e com o uísque, mas de facto parece-me que os espaços livres de fumo se tornariam de facto muito mais agradáveis e sobretudo saudáveis. Permitiria até que crianças (acompanhadas pelos pais) e grávidas frequentassem estes espaços com muito mais à vontade que o fazem actualmente.

Beijos e abraços.

Mário Lima

Thursday, January 10, 2008

Novo Aeroporto em... Dakar!

Pois é caros amigos, afinal sempre vamos ter um novo aeroporto, o que só vem provar a qualidade técnica nos nossos colegas do Sócrates (Engenheiros), é que não é qualquer um que consegue fazer um aeroporto no deserto. Já viram bem a quantidade de areia que vão ter de tirar?!
O caro amigo Mário Lino devia ter ido ao dicionário de Francês/Português ver o que quer dizer "jamais, jamais", se tivesse ido, teria percebido que quer dizer: jamais, jamais, ou em bom português: nunca!! Mas bolas, o tipo pensava que queria dizer é aqui, é aqui!!
Por não termos um ministro da obras públicas poliglota, vamos ter de levar com um aeroporto que não vai de certeza cair nas boas graças da Quercus, afinal o que vão fazer aos coitados dos camelos que por ali vivem?
Bem vistas as coisas andaram a cancelar o rally Lisboa - Dakar por causa de ameaças terroristas na Mauritânia, porque sem passar por lá, pelos vistos a coisa não tinha piada nenhuma porque assim quase não se passava pelo deserto, e o nosso Márocas não foi capaz de dizer que o rally nem precisava de sair de Portugal para ter umas valentes dunas? Bastava para isso fazer umas etapas tipo Almada - Barreiro, Seixal - Alcochete. Isso é que era!!

Ah, já sei porque é que ele não disse nada. Foi o Almeida Santos que o mandou ficar quieto porque se fizessem essas etapas os terroristas vinham da Mauritânia até aqui, dinamitavam umas pontes, e depois como é que era? Ah??
Bem, vou mas é dormir e rezar que que aquele maluco amanhã não venha para aí anunciar que o estudo do LNEC indica que a melhor localização para o novo aeroporto é afinal em... Dakar!

Mário Lima

Saturday, January 5, 2008

Lisboa - Dakar

Pela primeira vez em trinta anos de história, foi ontem anunciado que a edição deste ano do Dakar seria cancelada por motivos de segurança. Ao que parece os serviços secretos franceses terão interceptado uma mensagem de um grupo terrorista de nome GSPC - Grupo Salafita para a Prédica e Combate, que ameaçava directamente a caravana do Dakar. Quem quer que sejam estes tipos, parece que estão ligados à Al Qaeda, e com um nome destes cheira-me a gente perigosa...
Se no imediato pode parecer uma decisão acertada o cancelamento do rally uma vez que nenhuma vida humana se pode sobrepor a um qualquer interesse económico ou financeiro como é o caso.
Já reflectindo melhor deixa-me algumas dúvidas ser esta decisão mais acertada. Por principio parece-me má política ceder a qualquer tipo de ameaça terrorista, sob pena de ao fazê-lo se estar a dar trunfos importantes às redes terroristas sejam elas quais forem.
A partir deste momento abriu-se um grave precedente que vai permitir que grupos terroristas ameacem cada vez mais o estilo de vida das populações e sem terem de se dar a grande trabalho.
Quero deixar aqui bem claro que não sou um grande adepto do desporto automóvel e muito menos do Dakar, não tendo por isso a minha opinião toldada por me ver privado de acompanhar as emoções do rally.

Mário Lima

Tuesday, December 25, 2007

Feliz Natal!!

Oh oh oh...
Aproveito este "post" para desejar a todos os meus amigos e família um feliz Natal cheio de amizade e coisas boas para serem desfrutados juntos daqueles que mais gostam.

P.S. O Rudolfo ainda não conseguiu conquistar a "boa" da Popota. LOL.

Mário Lima

Thursday, December 20, 2007

Revolta

Foi com uma enorme tristeza e com um profundo sentimento de revolta que li esta manhã a notícia que o Benfica não iria renovar o contrato com o lateral esquerdo Léo.
É verdade que ao longo da história do clube muitos foram os grandes jogadores que entraram e saíram do clube e o mesmo não acabou por isso. No entanto, os contornos que envolvem esta situação com Léo fazem-me ter vergonha da direcção do Benfica.
Nos três anos em que vestiu a camisola do Benfica, Léo foi sempre dos melhores jogadores em campo em todos os jogos. Claro que também teve jogos que lhe correram menos bem, no entanto foi sempre um dos jogadores mais inconformados e com mais garra para dar a volta aos jogos quando estes não estavam a correr bem.
Foi um jogador que sem estar a pedir nada a ninguém (até porque não precisava), sempre declarou o seu amor ao clube, chegando mesmo a declarar que só não renovava se o clube não quisesse, pois o Benfica era a sua casa.
Já sei que os defensores do Sr. Vieira vão dizer que o jogador pediu muito dinheiro e que já tem 32 anos e etc. Não é verdade que o Benfica tem dinheiro para dar a jogadores que num ano não conseguem lutar nem correr o que Léo corre durante um só jogo, e se é verdade que já tem 32 anos a correr não parece nada... Lembram-se do Rui costa?!
A minha tristeza prende-se não apenas pelo Léo, mas pelas várias situações em todo semelhantes a esta que têm acontecido no Benfica ao longo dos anos, e depois lá vem o Sr. Vieira dizer na praça pública que o jogador só estava interessado no dinheiro e que não tinha amor à camisola, enfim, os "bitaites" do costume que os idiotas engolem.
Por tudo o que Léo fez pelo Benfica merecia pelo menos que o seu empresário tivesse sido recebido pelo Presidente e que a sua proposta fosse no mínimo analisada, mas ao que parece o homem esteve em Portugal uma semana e os encontros foram sendo sucessivamente adiados pela Direcção do Sport Lisboa e Benfica, numa atitude no mínimo deselegante.
Até hoje estava convencido que esta direcção era apenas incompetente e que quanto a isso não havia volta a dar, agora parece-me haver não só pessoas mal formadas como também mal intencionadas e que por isso não merecem nem o apoio nem o respeito dos benfiquistas.

Mário Lima

Sunday, December 2, 2007

Ai, ai a bola...

Fim de semana triste o meu...
O Glorioso foi comido pelo Lelo, bolas, logo pelo sacana do Lelo...
O maluco andou pelo estádio a correr que mais parecia o Obikwelu. Tadinho do Léo, parecia que andava numa cadeira de rodas. Nem as porradas do nosso grande David Luiz impediram o homem de vender a bela da camisola contrafeita ao Quim.
Ficou triste a águia vitória e fiquei eu. A sorte é que tenho mais seis milhões a chorarem comigo.
Ao que parece o Nulo Gomes discutiu com o ingrato Jesualdo, a coisa não terá chegado à violência porque o Nulo teve o bom senso de perceber que se não acerta numa porra duma baliza que é tão grande como é que conseguía acertar um murro no professor anoréctico. Ainda bem que nem tentou, poupou-se a si próprio mais uma vergonha.
A propósito de acertar, a nossa selecção já sabe com quem vai jogar no próximo campeonato euro-asiático, sim, euro-asiático, se vamos jogar com a Turquia que só tem uma "coisinha" de Europa deveria ser este o nome do campeonato.
Ah, mas como eu dizia, a propósito de acertar, acertámos no país onde vamos jogar, e que pontaria, conseguimos acertar logo na Suíça que é muito mais pequena do que a Áustria, e como bónus recebemos um pacote de cerca de 90.000 emigrantes Tugas enraivecidos para dar apoio ao Scolari e comprarem roupa ao Quaresma. Com um bocadinho de sorte ainda há para lá umas cabeleireiras malucas para cortarem o cabelo como deve de ser ao Bruno Alves.
A pontaria foi tanta, que não só vamos jogar na Suíça como contra a Suiça, aquilo vai parecer uma espécie de Portugal dos pequeninos. Com alguma sorte deixamos lá o Sócrates a governar aquilo e trazemos políticos a sério para cá. Se eles quiserem vir, claro, coisa que eu dúvido.
O outro adversário que vamos ter de defrontar é a República Checa, mas desta vez estou certo que vamos ganhar ao que parece o Poborsky já não joga na selecção e sobretudo o Baía pendurou as luvas. Ah, bolas mas temos lá o Ricardo...
Bem, mas não há-de ser nada.
Ok, não batam mais no ceguinho, prometo que para a próxima tento escrever algo mais a sério. mas aquela trivela do Quaresma ontem deixou-me sem disposição para coisas sérias, daí ter desenrolado este rol de baboseiras.
Um grande abraço.

Mário Lima