Monday, April 27, 2009

Investimento público

Numa altura em que parece que só se fala de crise, o governo vem quase todos os dias anunciar um novo investimento público, um aeroporto ali, um TGV aqui, uma auto-estrada acolá...
Sem querer entrar na discussão da real utilidade destes investimentos, deixo a pergunta no ar, não haverão nesta altura investimentos não só mais baratos como mais úteis?
Sou da opinião que apesar dos tempos difíceis que atravessamos e vamos continuar a atravessar, esta seria uma óptima oportunidade para traçar um plano a longo prazo que envolvesse os três pilares fundamentais de um país, a educação, a saúde e a justiça. E seria uma óptima oportunidade na medida em que nesta altura nenhum português de bom senso exigiria mais uma auto-estrada ou mais uma ponte sobre o Tejo. Estas reformas seriam obviamente mais estruturais do que infra-estruturais, ainda que aqui e ali sejam necessárias mais escolas, hospitais e tribunais, ou a remodelação dos existentes.
Enquanto os nossos governantes não perceberem que o país só pode evoluir se os próprios portugueses evoluírem também, nunca chegaremos a lugar algum. Esta evolução não se consegue andando mais depressa de um lado para o outro (ainda que isso seja importante). De nada me serve conseguir chegar depressa ao hospital se depois vou estar horas à espera para ser tratado e por vezes mal, não conhecendo os meus direitos e os meus deveres enquanto cidadão e não os podendo fazer valer quando são atropelados.
Defendo esta solução apenas quando encontrado um concensso a nível geral, que não seja hipotecado pela subida ao poder de um novo governo.
O caminho não será no entanto este, e até lá, já os nossos netos estarão a pagar a factura dos incompetentes que dos vários quadrantes se têm governado e (des)governado o país.

Thursday, January 1, 2009

Um ano de 2009 diferente!

Que o novo ano em que já estamos, possa trazer a todos um mundo mais justo, mais fraterno, mais igualitário e mais solidário.
Que nos traga melhores contas públicas, menos dívida externa, e acima de tudo uma governação mais responsável e mais justa para todos.
Que a crise apesar de ser real, não sirva de desculpa para encobrir mais trapalhadas.
Tenho a certeza que "sim, pudemos!"

Bom ano novo para todos.

Mário Lima

Saturday, November 22, 2008

Corar de vergonha.

Nos últimos tempos em que quase não se tem falado de outra coisa a não ser da crise que se vem instalando um pouco por todo o mundo fora, têm também, quase diariamente surgido figuras ou entidades, com um elevado grau de responsabilidade na gestão do país a proferirem frases que me levam a concluir que perderam completamente a já pouca vergonha que ainda possuíam.
Dois exemplos, a propósito do aumento do ordenado mínimo, Augusto Morais, presidente da Associação Portuguesa de PME's, proferiu a seguinte afirmação: “A Associação não se vai manifestar, mas vai determinar junto dos associados que não renovem os contratos, o que significa que o primeiro-ministro vai ter uma aumento do desemprego”. Desta frase podemos então retirar duas coisas, que as PME's portuguesas não são minimamente competitivas, uma vez que não gera receita suficiente para conseguir cobrir a "enorme" despesa que significa um aumento de 24 Euros mês num universo na melhor das hipóteses de 250 trabalhadores (limite máximo de trabalhadores de uma média empresa), e assim sendo têm de fechar as portas. Por outro lado o mais provável é que o próprio Augusto Morais na empresa que gere ande a ser demasiado bem pago e que por isso a empresa não aguente o esforço de aumentar quem produz para que o mesmo possa auferir o seu rendimento.
De referir que a própria líder da oposição se manifestou contra este aumento, o que me leva pela primeira vez a ponderar seriamente o meu habitual sentido de voto.
Para completar o ramalhete, o Banco de Portugal, presidido por um tal de Vítor Constâncio, que aufere um rendimento mensal de cerca de 17.000 Euros, considerou que um dos principais factores do desemprego de longa duração é o excesso "generosidade" do subsídio de desemprego.
Consideremos então o seguinte: no máximo, o subsídio de desemprego pode ir até aos cerca de 1200 Euros mensais, mas na verdade, cada português que usufrui deste rendimento aufere em média cerca de 500 Euros/mês. Ora, se Vítor Constâncio auferisse 500 Euros/mês como um outro qualquer cidadão deste país que onde ninguém governa mas muitos se vão governando, talvez compreendesse o que todos nós passamos para pagar as contas e evitasse que a inútil instituição a que preside dissesse barbaridades como esta.
Novos episódios se seguirão, querem apostar?

Mário Lima

Wednesday, October 8, 2008

Crise

Já comecei este "post" por quatro vezes e ainda não consegui encontrar as palavras certas para falar deste tema.
O tema é complexo e existem milhões de pessoas no mundo com muito mais competência e saber do que eu para falar nestas coisas. No entanto não consigo deixar de dar mais uma colherada para o muito que se tem dito e escrito acerca do tema, mesmo correndo o risco de ser repetitivo.
As políticas de capitalismo selvagem e de cariz neo-liberal tornaram o mundo num sítio pior para se viver. Vivemos actualmente num mundo em que o dinheiro existente circula por cada vez menos pessoas, o que levou a um estrangulamento da economia com as consequências que se conhecem e que não vale a pena enumerar.
As empresas que têm lucros imorais, são as mesmas que pagam salários miseráveis aos seus empregados e os acusam de serem improdutivos ,sem terem ao menos a decência de investir uma parte destes lucros para tornar as empresas mais competitivas, o que interessa é engordar ainda mais as contas dos accionistas enquanto a empresa aguentar, quando deixar de aguentar, fecha-se a porta e assunto resolvido.
Com governos mais preocupados com os empresários que os elegem do que com a população que juraram servir, caminhamos a passos largos para o abismo e ao contrário do que dizia o saudoso João Pinto a decisão correnta não é dar um passo em frente, mas sim muitos atrás.
O caso dos Estados Unidos é disso exemplo. Um sistema que permite que os mesmos gestores que levaram os principais bancos à falência durante a sua gestão, ainda recebem prémios bilionários de desempenho. Quando isto acontece algo de estranho se passa no mundo.
O chamado plano Paulson, é aparentemente a única forma de salvar o actual sistema, uma vez que vai reolver os problemas de falta de liquidez com que os principais bancos se debatem. Da minha parte, temo que se trate mais de um passo em frente do que de muitos atrás, na medida que a mensagem que corre o risco de passar é: continuem, quando voltar a correr mal (e vai voltar a correr mal), cá estaremos para vos dar a mão.
É urgente que os centros de poder e de decisão façam uma reflexão profunda e pensem o rumo que querem dar ao mundo, caso contrário terá de ser o povo a dizer basta!

Mário Lima


Monday, September 22, 2008

Trinta anos.

Fiz ontem trinta anos... Começo a sentir cada vez mais a ferrugem que torna perras as engrenagens. Começo cada vez mais a sentir o peso da responsabilidade de cada vez ser mais "adulto".
Aos trinta, sente-se que já se fez tudo sem na realidade ter feito ainda nada.
Esta é que é realmente a chamada sensação de absorção ao contrário.
Mas para quê tanta treta?! O sentimento dos trinta é exactamente igual ao dos vinte e nove, com a diferença de ter um ano a mais... Na verdade nunca me senti em tão boa forma. Vou correr!!

Mário Lima

Monday, August 18, 2008

O pequeno grande Marco

Desde os meus tempos de miúdo, em que religiosamente me sentava no sofá, para ver as aventuras do Marco e da Heidi nas alvas montanhas dos Alpes Suíços, que não me divertia tanto com um tipo chamado Marco. Quem tem estado atento aos Jogos Olímpicos de certeza que já percebeu a que Marco me refiro, sim, claro que estou a falar do nosso lançador de peso, Marco Forte.
É verdade, o nosso Marquito voltou de Pequim com as mãos a abanar, e segundo o próprio, o principal motivo foi, imagine-se... a prova ter decorrido de manhã. É verdade, ao que parece o nosso herói não "funciona" de manhã, e como o próprio admitiu, "... Àquela hora o corpo quer é caminha." E ainda "...o primeiro lançamento até correu bem, mas depois, com o passar do tempo, as pernas começaram foi a pedir cama."
Eh pá, eu sinceramente acho que o homem merecia de facto ganhar uma medalha, só quem nunca acordou de manhã cedo para ir trabalhar é que não consegue compreender o drama do homem. Digo mais, deviam de dar duas medalhas ao rapaz, a primeira pelo esforço quase heróico, e a segunda, pela justificação de fracasso mais plausível, pelo menos não veio com a choradeira do costume, os árbitros que prejudicam sempre de propósito o nosso país, e com o clima que era mau, etc. Dar-lhe-ia ainda, o prémio "fair-play", porque é de assinalar o ar simpático e até bonacheirão com que o nosso rapaz encarou o não apuramento para a final, atitude que só está ao alcance dos grandes campeões...
O homem além disto tudo conseguiu ainda acrescentar um toque de humor e boa disposição à autêntica tristeza que tem sido a participação portuguesa nestes Jogos Olímpicos. (Valha-nos Sta. Vanessa.).
Por tudo isto, e mais alguma coisa que me tenha esquecido de dizer, bem hajas Marco...

P.S. Estás cheio de sorte, o C.O.I. acaba de anunciar que todas as provas de lançamento de peso nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, decorrerão durante a tarde, e aí Marco, aí, vais puder brilhar em... força!

Mário Lima

Sunday, August 3, 2008

Farto das melgas

É verdade, hoje, e para descontrair, vou-vos falar do bicho que de toda a vasta fauna habitacional, nas quais se incluem ratos, baratas, moscas, ácaros, bactérias, etc. é o que mais me impressiona, a melga.
E impressiona-me porquê? Perguntam vocês.
Existirá algum felizardo no mundo que não tenha ainda passado uma noite em claro por causa delas? Existirá alguém neste planeta que nunca tenha sido vilmente atacado à traição, na calada da noite por estas "chupistas" excitadas? Concerteza que não, facto que revela uma enorme capacidade de mobilização para um animal tão pequeno.
No entanto, o que mais me impressiona no bicho, é que ele tem a maior pontaria e intuição do reino animal. Já repararam como apenas uma melga tem a capacidade de num enorme quarto às escuras acertar sempre em cheio no ouvido de um gajo?! E já repararam como além de conseguir acertar no ouvido, ela ainda consegue acertar no exacto momento em que um gajo está praticamente a dormir?! Gaita!!!!
Se eu tivesse a pontaria das melgas, a esta hora estava a arranjar um edema pulmonar no "smog" de Pequim enquanto papava mais medalhas que a Vanessa Fernandes, em qualquer disciplina que implicasse acertar com algo em alguma coisa... Eh eh eh, desculpem a redundancia.
Ah, já repararam que um bicho tão pequeno consegue "aleijar" tanto?? Não?! Então experimentem a ter uma melga a "zumbir" ao vosso ouvido e de seguida tentem matá-la... Pois é, para a próxima levantem o rabo da cama e usem insecticida.
Já repararam no vasto arsenal bélico que o bicho possui com o exclusivo intuito de nos chatear? Se não nos acordam, mordem-nos, se não nos mordem magoam-nos, enfim... E se tivermos a sorte de escapar incolumes às suas investidas nocturnas, é mais que certo que elas só por vingança de não nos terem conseguido acordar, deixam-nos como recordação, enormes "babas" para passarmos o dia a coçar e a lembrar-nos que não temos forma de as vencer.
E enfim, aqui fica a minha modesta homenagem àquele que considero o animal mais chato do mundo e que ninguém me tira da cabeça que o único objectivo que tem na sua miserável existencia é realmente chatear-nos.
Desejo-vos uma boa noite.
Ah, já me esquecia, liguem os insecticidas electricos.

Mário Lima

Tuesday, July 29, 2008

Quintas & quintais

Os recentes acontecimentos na Quinta da fonte, no concelho de Loures, e agora mais recentemente na minha terra, Abrantes, vieram relançar o debate acerca dos problemas sociais que vêem assolando o país nos últimos anos, nomeadamente a questão do rendimento de inserção social, mais conhecido por rendimento mínimo.
A atribuição desta prestação social foi desde sempre contestada quer por partidos dos vários quadrantes, quer pela grande maioria dos cidadãos anónimos.
Devo desde já esclarecer que sou favorável à atribuição deste tipo de prestação social. É de facto um dever do Estado prestar auxilio às classes mais pobres e mais desfavorecidas dentro da medida do possível.
A atribuição deste tipo de prestações sociais, quer sejam o rendimento de inserção social quer a atribuição de habitação social, deverão obedecer a critérios rigorosos e verificáveis na sua veracidade por quem de direito, Estado ou autarquias.
Um outro ponto fulcral destas medidas é a criação de um código de conduta a ser cumprido pelas pessoas que usufruem destas ajudas, tal código de conduta deveria ter em conta em primeiro lugar o pagamento atempado das rendas, contas de luz, água, telefone, gás, etc. E acima de tudo não poderia permitir de modo algum que pessoas a contas com a justiça, ou com comportamentos sociais inaceitáveis em nenhum cidadão, sejam beneficiárias de qualquer ajuda estatal.
Ao não tomar este tipo de medidas, o Estado arrisca-se a ser um financiador de criminosos.

Mário Lima

Friday, June 13, 2008

"Il Stronzo speziale"

Infelizmente somos um país de tipos "porreiros pá..."
Se não fossemos, os jornalistas portugueses presentes na apresentação de José Mourinho como novo treinador do Inter de Milão ter-se-iam levantado deixando-o a "parlare" sozinho como os seus novos amigos.
Já o ar com que responde ao jornalista português na língua italiana dizendo que só fala italiano foi de mau gosto mas, ter-se-ia até desculpado, não fosse ele ter respondido (em inglês) a um jornalista inglês que o interpelou.
Mourinho com isto demonstrou ser um personagem totalmente desprovido de carácter e sobretudo dos mais básicos conceitos de boas maneiras.
Infelizmente, esta vedeta vai continuar a merecer grande destaque por parte da comunicação social portuguesa, vai continuar a ter honras de abertura de telejornais e presentear-nos com a sua falta de elegância.
Esqueceu-se que não nasceu nem rico nem famoso, mas que nasceu português.

Mário Lima

É preciso ter lata...

A propósito da participação ou não participação do F. C. do Porto nas competições europeias de futebol, muito se tem escrito e muito se tem dito. Por um lado, os que defendem que sim, que o F. C. do Porto deverá poder participar, uma vez que conquistou esse direito dentro das quatro linhas, e que outros (Benfica) não o conseguiram, e por isso não merecem ocupar esse lugar. Ora, de um ponto de vista pouco reflectido isso é a pura das verdades.
De um ponto de vista mais reflectido, pergunto: ficaram ou não provadas as tentativas de corrupção por parte do F. C. do Porto a um árbitro? É que sinceramente, o que mais me choca é que nunca ninguém ligado ao F. C. do Porto desmentiu estes factos, têm sim, escudado-se em meras questões processuais que possam permitir ao clube competir este ano na Europa, e num suposto "complot" benfiquista contra eles.
Do ponto de vista processual, não sendo jurista, não tenho uma opinião formada acerca da justeza ou não, de uma eventual exclusão do clube. Já do ponto de vista moral, parece-me tremendamente injusto que um clube que corrompe e não o nega, não seja penalizado, transmitido desta forma a mensagem de que o crime compensa.
Quantos foram os milhões ganhos pelo F. C. do Porto na Liga do Campeões no ano a que se reportam os factos? Esse dinheiro terá ou não servido para o reforço da equipa de futebol no ano seguinte, criando desta forma um efeito bola de neve. Isto constitui um grave caso de concorrência desleal para com os outros clubes.
Choca-me também que a maioria dos ditos "opinion makers" e comentadores se estejam a virar contra o Benfica por defender junto da Liga e da Uefa a exclusão do F. C. do Porto. Parece que o crime do Benfica é ainda muito pior do que a tentativa de corrupção do clube portista.

Mário Lima

Friday, June 6, 2008

A encruzilhada de Sócrates

Quando o governo em mais uma demanda populista dos aflitos, decidiu baixar a taxa de IVA dos 21 para 20%, já deveria estar a prever aquilo que toda a gente (menos ele) estavam a prever, o constante aumento do preço dos combustíveis.
Sendo certo que não cabe de forma alguma ao governo a fixação dos preços dos produtos petrolíferos, é no entanto, o governo que cobra impostos sobre os mesmo. O que aconteceu a Sócrates, foi a sua mais infeliz jogada política, ao anunciar a descida da taxa de IVA, perdeu qualquer margem de manobra que poderia ter para mexer na taxa do ISP ou de IVA sobre os produtos petrolíferos.
Neste momento, não pode recuar na sua decisão e trocar uma medida por outra.
A contestação aumenta. E neste momento estou curioso para ver como vai ser a reacção do governo. Vamos ver, com as eleições à porta, e Sócrates a baixar cada vez mais os seus índices de popularidade, até quando vai o governo resistir à tentação de mexer nos impostos dos combustíveis.
Neste momento a questão que se coloca nos seio do governo é: mexer nos preços dos combustíveis e ganhar as eleições, mas deixando desta forma as finanças públicas novamente de rastos; ou manter os impostos dos combustíveis, minimizando os perigos para as finanças públicas da baixa do IVA, mas perder as eleições.
Sócrates tem a palavra...

Mário Lima

Saturday, May 24, 2008

PSD vs. Manuela Moura Guedes

O debate de ontem entre os candidatos à liderança do PSD, transmitido pela TVI, inserido no Jornal Nacional e "supostamente" moderado pela jornalista Manuela Moura Guedes, constitui um dos mais deprimentes espectáculos politico-televisivos dos últimos tempos.
Entre os candidatos, apenas sobressaíram pela positiva, Manuela Ferreira Leite e o surpreendente Pedro Passos Coelho, a velha e a nova escola em confronto directo.
E sobressaíram, por terem sido capazes de fazer aquilo que cabia à jornalista, ou seja, moderar o debate, mas já lá vamos.
Manuela Ferreira Leite, muito igual a si própria, num registo calmo e sereno, sem medo de assumir algumas ideias à partida impopulares, mas sempre dentro da linha de coerência a que nos habituou.
Já Pedro Passos Coelho, defensor de uma política mais liberal, com tudo o que de bom e de mau o termo traz, mas capaz de falar de uma forma clara, o rumo que traçou para a sua campanha e para o país.
Estes foram os únicos candidatos que souberam aguardar a sua vez para falar e nunca se exaltaram ao serem constantemente interrompidos por Patinha Antão e por Pedro Santana Lopes. O primeiro, uma desilusão, esperava mais de uma personalidade do seu calibre. Nunca foi capaz de explicar o projecto que tem para o país e a para o partido, limitando-se a debitar uma série de lugares comuns pouco fundamentados. Já Santana Lopes é aquilo a que sempre nos habituou, charmoso, com um discurso fácil de assimilar, mas sem trazer nada de novo.
Já a nossa Manuela Moura Guedes deu uma triste demonstração de como não se deve fazer jornalismo. Extremamente preocupada em centrar as atenções sobre si própria, gesticulando constantemente, não conseguindo sequer ficar quieta na cadeira, interrompendo constantemente os convidados, na grande maioria das vezes para opinar ou colocar questões completamente acessórias. Eu diria que contabilizados os tempos usados para o debate que conseguiu falar quase tanto como os seus convidados.
Com a carreira e a experiência que tem, não tinha a mínima necessidade de se colocar a naquela posição.

Mário Lima

Friday, May 23, 2008

Surpresa

Andava eu entretido a fazer umas pesquisas na internet para um trabalho da escola, quando, para grande surpresa minha, me deparo com uma citação no "site" brasileiro do "recanto das letras", acerca de um "post" antigo que aqui escrevi sobre a escritora britânica Doris Lessing.
De facto, não se trata de nada de especial, mas a ideia que alguém do outro lado do Atlântico leu algo que escrevi é uma sensação agradável.
Em suma, fiquei contente... Foi realmente uma surpresa bastante agradável que vale o que vale, mas teve o condão de me deixar bem disposto.
Fica aqui o link para o referido site:

Sunday, May 18, 2008

Rui Costa

Como já devem ter reparado, não tenho por hábito deixar aqui "links" para sites, ou vídeos, no entanto, vou abrir uma excepção e deixar-vos aqui o link do site do jornal "Expresso", ao qual Rui Costa concede uma extensa, porém muito interessante entrevista, onde conta algumas histórias da sua carreira, fala do seu amor ao Benfica, à sua família e das suas ideias para o futuro do Benfica. Enfim, mostra a outra face para além do jogador de futebol que estávamos habituados a ver na televisão enquanto jogador.
A entrevista parece-me importante, ainda para mais numa altura em que muito se decide acerca do futuro do clube.
Rui Costa mostra ser um homem com ideias claras acerca do quer e para onde vai. Mostra um discurso coerente e articulado, sem querer ser politicamente correcto e acima de tudo sem fugir às questões que lhe são colocadas.
Um artigo que penso não só os admiradores de Rui Costa e do Benfica devem ler, mas também todos os amantes de futebol.
Aí vai então "link" para a entrevista.

Entrevista de Rui Costa ao "Expresso", 18/05/2008

Mário Lima

Sunday, May 4, 2008

IVA

A anunciada descida do IVA não augura nada de bom para a nossa frágil economia e muito menos para os nossos depauperados cofres públicos.
Desengane-se quem pensa que a partir de Julho, vai pagar os bens que diáriamente consome, mais baratos (lembram-se dos ginásios?). Não só nenhum comerciante se dará ao trabalho de fazer os devidos ajustes aos preços dos bens por si comercializados, como também a fazê-lo, a diferença só seria perceptível na aquisição de bens de valores mais elevados. E é aí que reside o erro, pois o que para nós não trará qualquer benefício ou muito poucos benefícios será um autêntico desastre para as finanças públicas, uma vez que os preços manter-se-ão, e o Estado arrecadará menos, com claro prejuízo para o tão malfadado défice.
Esta factor torna-se tão mais grave uma vez que sabemos que o actual défice de 2,6% foi exactamente alicerçado num aumento da receita fiscal e não na redução da despesa pública nacional que infelizmente tem vindo a aumentar de ano para ano. Mas deixo isso para um próximo "post".
A descida de apenas um ponto percentual na taxa do IVA de 21 para 20% vai apenas beneficiar os propósitos eleitoralistas deste governo. Nem se pode falar aqui num incentivo ao consumo. Poderia existir esse incentivo se tivesse havido coragem de colocar o nosso IVA a 16% em paridade com a vizinha Espanha, tornando desta forma as nossas empresas mais competitivas face às empresas espanholas e aí sim incentivando uma maior procura por todo o tipo de bens por parte dos consumidores. Estou certo que uma medida deste tipo traria uma nova dinâmica essencialmente comercial, e com grandes benefícios para o interior do país, pois traria não só mais consumidores espanhóis ao nosso país, como resgataria os consumidores portugueses que neste momento gastam o seus ordenados do outro lado da fronteira.
No entanto, para que isto fosse possível seria necessário um equilíbrio consolidado das contas públicas que ainda não existe neste momento, porque como já referi teria de ser feito um enorme esforço no controle da despesa pública que neste momento não existe (TGV e novo Aeroporto irão fazer disparar a despesa no futuro).
Sócrates toma esta decisão numa altura em que se começa a perceber que a maioria absoluta em 2009, já será difícil de conquistar, e o próprio poder, não se encontrando para já em perigo, começa já a dar alguns sinais de fraquejar. E não fraqueja mais, porque que as alternativas quer à esquerda, quer à direita não se afiguram, para já, de facto melhores que Sócrates.

Mário Lima

Monday, April 21, 2008

Acordo ortográfico

Ponto prévio: nada tenho contra alterações que possam vir a ser feitas na língua portuguesa, sejam elas orais ou gramaticais.
A maneira como os povos comunicam tem sofrido as mais variadas alterações ao longo da história, tornando a língua num organismo vivo e por isso mesmo, mutável.
Uma demonstração disso, é compararmos um texto escrito por José Saramago no séc. XXI com um outro escrito por Gil Vicente, no séc. XVI.
É no entanto preocupante a tentativa de homogeneização da nossa língua, não só por me parecer uma clara submissão aos interesses brasileiros mas, sobretudo acabar com a diversidade entre a cultura linguística de cada um dos povos que falam a 5ª língua mais falada do planeta.
A beleza de uma língua está na diversidade da forma em que os vários povos a interpretam e a adaptam à sua cultura e ao seu modo de vida.
A língua portuguesa foi um importante legado deixado aos povos dos oito países em que o português é língua oficial, não sendo no entanto propriedade exclusiva nem de portugueses, nem de brasileiros, como este novo acordo quer fazer crer.
Com isto não quero dizer que tudo esteja bem no que à nossa língua diz respeito. De facto não está. É cada vez mais preocupante a quantidade de produtos que adquirimos nos supermercados e em outros locais, com rótulos em língua estrangeira, nomeadamente em espanhol. A solução, não passa no entanto em adaptar o modo como falamos ao modo brasileiro, de forma a beneficiarmos do facto de existirem cerca de 180 milhões de brasileiros, -in: http://www.brasil.gov.br/pais/sobre_brasil/- o que justificaria um investimento na tradução de rótulos de embalagens, software, manuais de instruções, sites da Internet, etc.
A solução para esse problema não passa na minha opinião por nos adaptarmos à sua forma de falar mas sim, pela consciencialização de todos nós para o facto de ao adquirirmos um qualquer produto temos não só o direito mas também o dever de exigir que esse mesmo produto seja devidamente traduzido para Português, caso contrário devemos deixar bem claro e por escrito o facto de um produto não vir traduzido.
A salvação da nossa forma não só de escrever e falar, mas também de pensar e sentir o português, depende do grau de exigência que nós próprios tenhamos para com a língua, e cada um de nós deve de pensar se prefere lutar pela nossa língua e pela nossa individualidade enquanto povo ou se por outro lado prefere assobiar para o lado e deixar que nos digam como devemos de ser Portugueses a partir de agora.

Mário Lima

Friday, March 14, 2008

Poderá o Benfica ainda ser salvo?

De facto pode. Não é fácil mas ainda pode ser salvo. E para ser salvo é preciso primeiro compreender o que de errado se está a passar dentro do Benfica.
As situações de que vou falar são apenas do ponto de vista de um adepto mais ou menos atento que não tem a pretensão de saber o que realmente se passa internamente.
Vou falar de casos genéricos e colocar questões mais ou menos óbvias que apesar de à partida poderem parecer de pequena importância, revelam, na minha opinião, uma gestão atabalhoada e pouco profissional.
1-Escorregadelas, sei que pode parecer ridículo começar por aqui, mas de facto é irritante ver os jogadores do Benfica escorregarem uma média de dez vezes por jogo. São escorregadelas a mais para ser só azar. Este facto revela que das duas uma, ou o Benfica não fornece aos seus jogadores o calçado adequado ou permite que jogadores sejam obrigados contratualmente a utilizar determinado tipo de equipamento que não se revela o mais adequado para determinados tipos de terreno. Qualquer uma das hipóteses é suficientemente má para uma equipa profissional de futebol;
2-Não se pode vender jogadores no final de uma pré-época (Simão e Manuel Fernandes). Um treinador monta uma estrutura que contempla utilização de determinados jogadores, se esses jogadores saem quando essa mesma estrutura já está montada todo o trabalho feito anteriormente é deitado fora, sendo necessário recomeçar tudo de novo;
3-Não se pode despedir um treinador à primeira jornada e depois pedir ao que vem que faça milagres com jogadores de fraca qualidade e escolhidos pelo treinador anterior;
3-O Benfica tem de acabar de uma vez por todas com os jogadores emprestados, que depois de jurarem amor ao Benfica acabam por sair por um motivo ou por outro, criando uma rotatividade indesejável no plantel de ano para ano (Miccoli, Alcides, Rodriguez, etc...);
4-As renovações ou não renovações de jogadores têm de ser resolvidas atempadamente, assumidas e explicadas de forma clara. Situações como as de Léo ou de Rodriguez este ano têm sido recorrentes nos últimos anos. Pode-se até discutir se os jogadores devem ou não ficar, mas que estes processos não têm sido bem conduzidos parece-me claro;
5-Aposta clara na formação. É preferível um mau júnior a ganhar pouco do que um qualquer outro jogador contratado a ganhar muito e a jogar pouco. Vamos a exemplos. Não terá o Benfica dentro das suas fileiras nenhum lateral melhor que Luis Filipe?! Não terá nenhum jogador melhor do que Maxi Pereira (digo jogador porque ainda não consegui perceber em, que sítio ele joga porque limita-se a correr (mal) em campo, é verdade que é esforçado, mas isso só não chega). Um exemplo muito concreto, Miguel Vítor é um jogador com muito mais classe e até tranquilidade a jogar do que Edcarlos, no entanto, Miguel Vítor é emprestado ao Aves e Edcarlos é titular.
Ainda acerca dos júniores, se repararem, quando um jogador de uma qualquer posição se lesiona, normalmente o seu substituto nunca é um jogador que jogue de raiz nessa mesma posição, os treinadores optam normalmente por adaptar um jogador de outra posição com os resultados que são visíveis. É preferível apostar num jovem que sem pressão e com a ajuda dos mais velhos pode perfeitamente entrar na equipa;
6-O reforço do plantel tem de ser cirúrgico, ou seja, comprar apenas um ou dois jogadores de qualidade para as posições deficitárias. O Benfica não pode continuar comprar jogadores fracos, para posições que não precisa, por atacado à boleia de empresários. Para isso é necessário a definição de um modelo de jogo à Benfica. A partir daí pode-se escolher um treinador em função desse mesmo modelo de jogo, de maneira a que se um treinador sair o que vier a seguir não obrigue desta forma a dispensa de jogadores e a compra de novos para o seu modelo de jogo;
7-É impossível aferir da real qualidade de um jogador em 2 meses. (Marcel, Kikin Fonseca, Bergessio, etc.). Os jogadores necessitam de mais algum tempo para renderem, sobretudo se se tratarem de estrangeiros. Se a aposta do Benfica passa por Sul Americanos tem de lhes dar mais tempo para a sua adaptação a uma nova realidade;
8-Investir num preparador físico de créditos firmados (eu voto num inglês), que não só ponha a equipa a correr mas que consiga que os jogadores se desenvolvam fisicamente (ganhem ou percam peso conforme os casos). Este último ponto é para mim da maior importância, façamos a comparação entre o tronco de jogadores como Zoro, Rui Costa e Rodriguez com Di Maria, Luisão e Nelson, e vejam as diferenças. É que os primeiros jogaram em outros campeonatos Europeus onde eram sujeitos a regimes de treino muito mais exigentes, os últimos fizeram o seu percurso maioritariamente em Portugal, com a excepção de Di Maria que ainda agora chegou.
Hoje em dia pare se ser um bom jogador de futebol não basta ter jeito para jogar à bola, é necessário poder de choque e de explosão e esses atributos conseguem-se através de treino de ginásio e não a jogar "peladinhas";
9-A diminuição do número exagerado de lesões musculares que grassam no Benfica, entronca no ponto anterior e a solução para esse problema afigura-se complexa, no entanto e sem ter as respostas a esta questão, deixo aqui algumas sugestões que podem passar por uma série de factores, como por exemplo: o comprimento da relva é o mais indicado? O calçado é o mais indicado? A alimentação é regrada e especialmente concebida caso a caso? O planeamento das cargas aeróbicas é feito caso a caso, ou é limitado a corridas e exercícios rudimentares de preparação física? Os jogadores fazem os períodos de descanso adequados?
Por outro lado, e lamento dizê-lo, mas os jogadores do Benfica parecem jogar sem estarem ainda totalmente recuperados totalmente das lesões anteriores, por esse motivo não tivemos esta época jogadores como por exemplo: Petit, Luisão, David Luis e outros;
10-Um outro factor que não contribui directamente para o sucesso desportivo mas que é um ponto que considero mais pessoal mas que aqui deixo para reflexão, é o facto de o patrocinador principal do Benfica ser o mesmo dos nossos principais rivais de alguns anos para cá. Em primeiro lugar, a camisola do Benfica por uma questão de orgulho não deveria ter nada que a identificasse com os outros. Este ponto é ainda mais grave por considerar que a marca Benfica tem um valor categoricamente maior que os nossos dois rivais juntos, até posso acreditar que a PT pague mais ao Benfica, mas não tenho dúvidas que um contrato de exclusividade traria muito mais benefícios a vários níveis;
11-Por último é necessário de uma vez por todas criar uma estrutura profissional no clube que defina claramente as hierarquias e manter essa mesma estrutura ao longo dos anos. Vieira pode ser um bom gestor mas por ser demagogo, populista e impetuoso nunca será um bom director desportivo. Se continuar a insistir em ser omnipresente deverá demitir-se.


Mário Lima

Friday, February 8, 2008

Cubanos e outros que tais.

Pois é, voltei! Vá confessem, afinal não tinham saudades nenhumas de me lerem. Bolas!
Agradeçam a minha pequena ausência aos exames, nomeadamente à porcaria da contabilidade que me está a dar pano para mangas, mas enfim... Ah, por falar em contabilidade, aproveito para deixar aqui um grande abraço ao Renato pelo apoio que me tem dado na minha nova conquista numérica. Não DEVE - HAVER mais ninguém com tanta paciência como ele.
Bem, mas chega de agradecimentos e justificações, vamos lá então ao que me trouxe aqui esta noite.
É com grande tristeza e sobretudo para as minhas delicadas narinas que tenho verificado que quando saio à noite a minha roupa continua a cheirar a tabaco quando chego a casa (quem é me me manda a mim sair).
Pois é, afinal como se costuma dizer: "a montanha pariu um rato". Para todos nós que almoçamos ou jantamos fora e não dispensamos a "bica" depois das refeições de certeza que já percebemos que afinal de contas está tudo praticamente na mesma, excepção feita para os pequenos cafés e para os centros comerciais.
Já nos bares mais frequentados à noite, a diferença desde a entrada em vigor da lei é de facto nula.
A tão propalada ventilação, se é que existe de moldes diferentes à que já existia anteriormente à lei, é completamente ineficaz. Não só continua a cheirar a tabaco dentro dos estabelecimentos como também deixa todos os frequentadores destes mesmos espaços com o que eu chamo de síndrome D. Sebastião, porque quando estamos sentados nos cafés e a porta abre o "nevoeiro" que está lá dentro é tanto que ficamos sempre à espera que o D. Sebastião entre e nos venha livrar do "Engenhocas" Sócrates. Infelizmente é muito nevoeiro e pouco D. Sebastião.
Parece-me sinceramente, que para fazer uma lei destas teria sido preferível não fazer nenhuma e deixar as coisas como estavam, porque se o objectivo era melhorar a qualidade do ar que respiramos, FALHARAM REDONDAMENTE!!
Para que a lei fosse de facto eficaz teria de ter havido a coragem política de proibir totalmente o consumo de tabaco nos espaços públicos fechados. Teria sido muito mais eficaz, e sobretudo muito mais justo para todos os proprietários dos estabelecimentos.
É que tenho a sensação que a nossa querida ASAE só trabalha de dia, pois só os estabelecimentos diurnos cumprem. Já os nocturnos... É que basta um não estar a cumprir para existir a reacção em cadeia no incumprimento. Se eu tivesse um bar e o meu vizinho deixasse fumar lá dentro eu concerteza que também deixaria fumar no meu bar sob pena de perder a grande maioria dos clientes que nestas coisas de sair à noite a maioria do pessoal fuma, mesmo os que não fumam regularmente por vezes atrás da cerveja e do uísque também fumam o seu cigarrinho.
Voltando à proibição total, é certo que os fumadores como o Miguel Sousa Tavares diriam que estavam a ser discriminados e etc.
Oh Miguel, a malta não te estaria a discriminar, estaria sim a discriminar o teu fumo e não a ti. Vou tentar explicar-te, tu até és advogado e devias de saber estas coisas, estarias a ser discriminado se não te deixassem entrar ou permanecer num determinado espaço público. Ora isso não acontece. Estão apenas a impedir-te de fumar nesse espaço, como aliás já é feito em vários outros espaços sem que tu tenhas dito as barbaridades que tens dito. Impedem-te de fumar como te impedem de entrar despido num sítio, no fundo vai dar ao mesmo. Ou seja o cidadão não está de forma alguma a ser descriminado, a nossa constituição está desta forma a ser respeitada, coisa que segundo o teu ponto de vista não estaria. Quem diz isto é na verdade um gajo que te admira (apesar de seres Portista), gosto dos teus livros e gosto das crónicas que escreves no "Expresso", e custa-me ouvir-te como dono da verdade a defender uma posição do meu ponto de vista indefensável. Não te tiro claro o teu direito à indignação. É por gostar de ti que te vou descriminar.
Ufa, andava com esta cá entalada há muito tempo. desculpem.
Para terminar, gostava de dizer que não sou anti-tabagista, afinal de contas já fumei e estou incluído no grupo da malta que quando sai à noite até gosta de fumar o cigarrinho com a cerveja e com o uísque, mas de facto parece-me que os espaços livres de fumo se tornariam de facto muito mais agradáveis e sobretudo saudáveis. Permitiria até que crianças (acompanhadas pelos pais) e grávidas frequentassem estes espaços com muito mais à vontade que o fazem actualmente.

Beijos e abraços.

Mário Lima

Thursday, January 10, 2008

Novo Aeroporto em... Dakar!

Pois é caros amigos, afinal sempre vamos ter um novo aeroporto, o que só vem provar a qualidade técnica nos nossos colegas do Sócrates (Engenheiros), é que não é qualquer um que consegue fazer um aeroporto no deserto. Já viram bem a quantidade de areia que vão ter de tirar?!
O caro amigo Mário Lino devia ter ido ao dicionário de Francês/Português ver o que quer dizer "jamais, jamais", se tivesse ido, teria percebido que quer dizer: jamais, jamais, ou em bom português: nunca!! Mas bolas, o tipo pensava que queria dizer é aqui, é aqui!!
Por não termos um ministro da obras públicas poliglota, vamos ter de levar com um aeroporto que não vai de certeza cair nas boas graças da Quercus, afinal o que vão fazer aos coitados dos camelos que por ali vivem?
Bem vistas as coisas andaram a cancelar o rally Lisboa - Dakar por causa de ameaças terroristas na Mauritânia, porque sem passar por lá, pelos vistos a coisa não tinha piada nenhuma porque assim quase não se passava pelo deserto, e o nosso Márocas não foi capaz de dizer que o rally nem precisava de sair de Portugal para ter umas valentes dunas? Bastava para isso fazer umas etapas tipo Almada - Barreiro, Seixal - Alcochete. Isso é que era!!

Ah, já sei porque é que ele não disse nada. Foi o Almeida Santos que o mandou ficar quieto porque se fizessem essas etapas os terroristas vinham da Mauritânia até aqui, dinamitavam umas pontes, e depois como é que era? Ah??
Bem, vou mas é dormir e rezar que que aquele maluco amanhã não venha para aí anunciar que o estudo do LNEC indica que a melhor localização para o novo aeroporto é afinal em... Dakar!

Mário Lima

Saturday, January 5, 2008

Lisboa - Dakar

Pela primeira vez em trinta anos de história, foi ontem anunciado que a edição deste ano do Dakar seria cancelada por motivos de segurança. Ao que parece os serviços secretos franceses terão interceptado uma mensagem de um grupo terrorista de nome GSPC - Grupo Salafita para a Prédica e Combate, que ameaçava directamente a caravana do Dakar. Quem quer que sejam estes tipos, parece que estão ligados à Al Qaeda, e com um nome destes cheira-me a gente perigosa...
Se no imediato pode parecer uma decisão acertada o cancelamento do rally uma vez que nenhuma vida humana se pode sobrepor a um qualquer interesse económico ou financeiro como é o caso.
Já reflectindo melhor deixa-me algumas dúvidas ser esta decisão mais acertada. Por principio parece-me má política ceder a qualquer tipo de ameaça terrorista, sob pena de ao fazê-lo se estar a dar trunfos importantes às redes terroristas sejam elas quais forem.
A partir deste momento abriu-se um grave precedente que vai permitir que grupos terroristas ameacem cada vez mais o estilo de vida das populações e sem terem de se dar a grande trabalho.
Quero deixar aqui bem claro que não sou um grande adepto do desporto automóvel e muito menos do Dakar, não tendo por isso a minha opinião toldada por me ver privado de acompanhar as emoções do rally.

Mário Lima

Tuesday, December 25, 2007

Feliz Natal!!

Oh oh oh...
Aproveito este "post" para desejar a todos os meus amigos e família um feliz Natal cheio de amizade e coisas boas para serem desfrutados juntos daqueles que mais gostam.

P.S. O Rudolfo ainda não conseguiu conquistar a "boa" da Popota. LOL.

Mário Lima

Thursday, December 20, 2007

Revolta

Foi com uma enorme tristeza e com um profundo sentimento de revolta que li esta manhã a notícia que o Benfica não iria renovar o contrato com o lateral esquerdo Léo.
É verdade que ao longo da história do clube muitos foram os grandes jogadores que entraram e saíram do clube e o mesmo não acabou por isso. No entanto, os contornos que envolvem esta situação com Léo fazem-me ter vergonha da direcção do Benfica.
Nos três anos em que vestiu a camisola do Benfica, Léo foi sempre dos melhores jogadores em campo em todos os jogos. Claro que também teve jogos que lhe correram menos bem, no entanto foi sempre um dos jogadores mais inconformados e com mais garra para dar a volta aos jogos quando estes não estavam a correr bem.
Foi um jogador que sem estar a pedir nada a ninguém (até porque não precisava), sempre declarou o seu amor ao clube, chegando mesmo a declarar que só não renovava se o clube não quisesse, pois o Benfica era a sua casa.
Já sei que os defensores do Sr. Vieira vão dizer que o jogador pediu muito dinheiro e que já tem 32 anos e etc. Não é verdade que o Benfica tem dinheiro para dar a jogadores que num ano não conseguem lutar nem correr o que Léo corre durante um só jogo, e se é verdade que já tem 32 anos a correr não parece nada... Lembram-se do Rui costa?!
A minha tristeza prende-se não apenas pelo Léo, mas pelas várias situações em todo semelhantes a esta que têm acontecido no Benfica ao longo dos anos, e depois lá vem o Sr. Vieira dizer na praça pública que o jogador só estava interessado no dinheiro e que não tinha amor à camisola, enfim, os "bitaites" do costume que os idiotas engolem.
Por tudo o que Léo fez pelo Benfica merecia pelo menos que o seu empresário tivesse sido recebido pelo Presidente e que a sua proposta fosse no mínimo analisada, mas ao que parece o homem esteve em Portugal uma semana e os encontros foram sendo sucessivamente adiados pela Direcção do Sport Lisboa e Benfica, numa atitude no mínimo deselegante.
Até hoje estava convencido que esta direcção era apenas incompetente e que quanto a isso não havia volta a dar, agora parece-me haver não só pessoas mal formadas como também mal intencionadas e que por isso não merecem nem o apoio nem o respeito dos benfiquistas.

Mário Lima

Sunday, December 2, 2007

Ai, ai a bola...

Fim de semana triste o meu...
O Glorioso foi comido pelo Lelo, bolas, logo pelo sacana do Lelo...
O maluco andou pelo estádio a correr que mais parecia o Obikwelu. Tadinho do Léo, parecia que andava numa cadeira de rodas. Nem as porradas do nosso grande David Luiz impediram o homem de vender a bela da camisola contrafeita ao Quim.
Ficou triste a águia vitória e fiquei eu. A sorte é que tenho mais seis milhões a chorarem comigo.
Ao que parece o Nulo Gomes discutiu com o ingrato Jesualdo, a coisa não terá chegado à violência porque o Nulo teve o bom senso de perceber que se não acerta numa porra duma baliza que é tão grande como é que conseguía acertar um murro no professor anoréctico. Ainda bem que nem tentou, poupou-se a si próprio mais uma vergonha.
A propósito de acertar, a nossa selecção já sabe com quem vai jogar no próximo campeonato euro-asiático, sim, euro-asiático, se vamos jogar com a Turquia que só tem uma "coisinha" de Europa deveria ser este o nome do campeonato.
Ah, mas como eu dizia, a propósito de acertar, acertámos no país onde vamos jogar, e que pontaria, conseguimos acertar logo na Suíça que é muito mais pequena do que a Áustria, e como bónus recebemos um pacote de cerca de 90.000 emigrantes Tugas enraivecidos para dar apoio ao Scolari e comprarem roupa ao Quaresma. Com um bocadinho de sorte ainda há para lá umas cabeleireiras malucas para cortarem o cabelo como deve de ser ao Bruno Alves.
A pontaria foi tanta, que não só vamos jogar na Suíça como contra a Suiça, aquilo vai parecer uma espécie de Portugal dos pequeninos. Com alguma sorte deixamos lá o Sócrates a governar aquilo e trazemos políticos a sério para cá. Se eles quiserem vir, claro, coisa que eu dúvido.
O outro adversário que vamos ter de defrontar é a República Checa, mas desta vez estou certo que vamos ganhar ao que parece o Poborsky já não joga na selecção e sobretudo o Baía pendurou as luvas. Ah, bolas mas temos lá o Ricardo...
Bem, mas não há-de ser nada.
Ok, não batam mais no ceguinho, prometo que para a próxima tento escrever algo mais a sério. mas aquela trivela do Quaresma ontem deixou-me sem disposição para coisas sérias, daí ter desenrolado este rol de baboseiras.
Um grande abraço.

Mário Lima

Saturday, November 17, 2007

Uma semana.

Terminou a minha primeira semana de trabalho no novo emprego. Confesso que não tem sido fácil.
A adaptação a novos horários, a novos colegas, enfim, a um tipo de trabalho que completamente diferente do anterior. No entanto o que me tem estado a custar mais é passar tanto tempo fora de casa, coisa que não estava nada habituado, pois o meu horário anterior permitia-me estar bastante tempo em casa e ter bastante tempo para tudo.
Tenho sentido saudades de tudo, de casa, da Guida, da minha mãe, do Dani, de Abrantes...
Mas nem tudo tem sido difícil, o ambiente de trabalho parece-me ser óptimo, os patrões parecem-me bastante empenhados em darem-nos todas as condições necessárias para podermos trabalhar, uma realidade muito diferente daquela a que estava habituado.
Tenho ainda muito a aprender acerca de tintas e afins, mas os colegas e patrões têm sido extraordinários na ajuda que me estão a dar.
Espero que tudo continue a correr bem, e sobretudo que me adapte depressa a esta nova realidade.

Mário Lima

Tuesday, November 13, 2007

Nova etapa.

Escrevo estas poucas linhas para vos dar conta que dei ontem início a uma nova etapa na minha carreira profissional.
Saí de trás do balcão do Hotel de Turismo para me por atrás do volante de um carro da Glosscar Lda.
Ando neste momento a saltar de oficina em oficina a tentar vender produtos de pintura automóvel. É um desafio novo numa empresa jovem e cheia de vontade de crescer.
Espero que tudo corra bem. Desejem-me sorte amigos.

Mário Lima

Thursday, November 1, 2007

Comedor de sardinhas.

Após as declarações do embaixador português em Londres António Santana Carlos, numa entrevista à revista "Times" nas quais se afirmava preocupado com as acusações entre Portugueses e Britânicos a propósito do "caso Maddie", afirmou que em geral no que diz respeito a raptos Portugal é um país mais seguro do que a Inglaterra. Tony Parsons, cronista do jornal britânico "Daily Mail" à falta de melhor argumento, limitou-se a mandar o nosso embaixador "fechar a boca estúpida e trituradora de sardinhas".
Pois, eu enquanto orgulhoso triturador de sardinhas, não me sinto minimamente ofendido, sobretudo por um fulano que atinge o seu "Zen" gastronómico a beber chá e a comer "Fish n' chpis" - peixe frito com batatas fritas.
Quem se lembrar de algum contributo gastronómico de relevo dado por Ingleses é favor deixá-lo aqui nos comentários.
Se o melhor que estes tipos conseguem fazer para nos ofender é chamar-nos trituradores de sardinhas, estamos mal. Então eles não sabem que a sardinha é um peixe rico em ferro sendo por isso um alimento saudável e que faz bem ao cérebro. Pois é, se os Ingleses comessem mais sardinhas e bebessem menos chá, talvez não escrevessem tanta parvoíce. Para além disso, a sardinha é também um alimento rico em ômega-3 considerado um factor de prevenção de AVC's e ataques cardíacos, algo que recomendo vivamente aos ingleses depois de verem que até um frangueiro como o Ricardo até sem luvas defende um penalti marcado por um pé torto Inglês. Resultado final Sardinhas 1 - Chá das cinco 0, vencem os Lusitanos.
Sinceramente, já não há paciência, para estes jornalistas ingleses, é que os tipos já nem nos conseguem fazer um ataque decente, daqueles de valha a pena defender-nos. Eh pá, podiam ao menos dizer que éramos uma província de Espanha, ao menos disso a malta defendia-se. Ah, mas isso podia chatear os Espanhóis o que era mau, os tipos ainda se punham a comparar a Leticia com a Camila e já se está a ver a ver quem ficava a perder...
Juro que tentei escrever uma coisa séria sobre os Ingleses, juro que me fartei de procurar coisas sérias e inteligentes, mas não fui capaz... A única coisa inteligente de que me consigo lembrar nos últimos tempos em Inglaterra é do Mourinho! Ah, e até do Cristiano Ronaldo... Ok, pronto, isso também não.
Em suma, para os Ingleses serem uns gajos mesmo porreiros, só lhes "falta um bocadinho assim..." para serem Escoceses.

Mário Lima

Saturday, October 27, 2007

Iber... Chicos

Tenho andado um bocado inquietado nos últimos tempos com os pais portugueses. Sempre que ligo a televisão lá vem um anúncio a fraldas ou a dentífricos recomendado por uma instituição espanhola. Isso deixa-me de facto inquieto, é que das duas uma, ou não existem em Portugal instituições capazes de recomendar uma fralda, ou pura e simplesmente preferimos que sejam os espanhóis a impedir o nosso mau hálito. Enfim...
Mas afinal que raio de pais somos nós?! Já não bastava mandar-mos os putos irem nascer a Badajoz agora também queremos que sejam eles a mudar-lhes as fraldas?! Pelo andar da carruagem, quando forem mais crescidos também queremos que sejam eles a lavar-lhes os dentes. Acho que andamos a abusar da paciência deles...
Ah, já me esquecia, os putos agora não são portugueses, são "Ibéricos".

Mário Lima

Thursday, October 18, 2007

Lobinhos.

Devo de confessar que já ando sem paciência para tanto uivo em volta da nossa selecção nacional de rugby mais conhecida por "Lobos".
Não é que não reconheça o bom trabalho que foi feito ao tornarem-se a primeira selecção amadora a chegar a um mundial, mas sinceramente, parece-me que tanto alarido em torno de uma equipa que nem sequer cumpriu nenhum dos objectivos a que se propunha no mundial é um manifesto exagero.
Toda a festa, livros, palmadinhas nas costas etc. são o reflexo de uma nação que não só se contenta com pouco, mas também assume de facto a sua pequenez e todas as suas limitações, limitações essas que são na grande maioria das vezes mais psicológicas do que reais.
Um dos grandes argumentos usados para enaltecer os lobos é o contraponto com o futebol, diz-se que os futebolistas ganham milhões e estes coitadinhos não ganham nada e... cantam o hino como ninguém. Francamente. Se o único mérito que conseguem atribuir a uma equipa nacional é a forma como canta o hino, metam a Mariza a cantar o hino e a "levar" com a Nova Zelândia em cima. Pois, só que estes "coitadinhos" também são todos oriundos de estratos sociais bastante elevados. Não me lembro de ver nenhum padeiro ou algum pedreiro na selecção.
Porque é que em vez de tantas palmadinhas nas costas e tantas felicitações não se criam as condições para que estes jogadores possam evoluir para profissionais, criando infraestruturas para treinos? Porque não abrir a modalidade à generalidade da população? Esse sim, era o prémio justo e merecido.
É que os mesmos que hoje felicitam amanhã esquecem.

Mário Lima

Tuesday, October 16, 2007

Doris Lessing, "pode alguém ser quem não é?"

No passado dia 11 de Outubro o comité Nobel decidiu atribuir ao Prémio Nobel da Literatura à Britânica Doris Lessing. Doris, nascida no dia 22 de Outubro de 1929 na antiga Pérsia (actual Irão), e criada na antiga Rodésia (actual Zimbabué).
Aos 87 anos de Idade, recebeu a notícia pelos jornalistas que a abordaram quando esta chegava a casa vinda das compras.
Escritora sempre inconformada e que sempre assumiu as suas convicções como o feminismo e os direitos humanos, algo que nunca lhe granjeou grandes admiradores, até devido ao seu forte sentido de justiça.
Dotada de forte personalidade, e sempre determinada, enviou, quando já era uma escritora de renome, um texto inédito ao seu editor sob a capa de um pseudónmimo, texto esse que viria no entanto a ser rejeitado, por suposta falta de qualidade. Esse mesmo texto seria mais tarde publicado. Com esta atitude, Doris Lessing denunciou o que ela chamou de podridão no mundo literário e também na sociedade em que vivemos, onde apenas o dinheiro consegue atrair dinheiro.
Acho que dá que pensar...

Mário Lima

Wednesday, October 10, 2007

Verde alface.

Quem trabalha numa filial de uma empresa com sede em Lisboa ponha o dedo no ar.
Nunca se sentiram os parentes pobres dessa mesma empresa? Nunca se sentiram discriminados em relação aos colegas da capital? Pois é, acredito que sim.
Quantas vezes precisaram de algum tipo de equipamento e em vez de a empresa adquirir equipamento novo receberam o equipamento que a sede já não quer porque acham que se é para a filial de fora de Lisboa "serve bem".
Pois é, infelizmente isto acontece na grande maioria das vezes. Até os próprios colegas têm por vezes atitudes para com os colegas de fora de Lisboa de alguma sobranceria e superioridade, acredito que nem se apercebam, afinal, já está nos genes...
No fundo, são pequenos exemplos do que se passa no país, a nível industrial, económico, político e até social.
Isto tudo para tentar perceber o porquê das cada vez mais acentuadas assimetrias que existem entre litoral e interior e sobretudo entre a região da grande Lisboa e o resto do país.
Os sucessivos Governos que nos têm (des)governado ao abrigo de interesses eleitorais, têm cedido de uma forma despudorada aos interesses alfacinhas, pois é, de facto,
de um universo total de 8.792,187, 1.909,504 encontram-se em Lisboa, segundo dados de 2006 publicados pela CNE - Comissão Nacional de Eleições, mais 462.554 eleitores que o Porto, o que torna a invicta a única cidade capaz de reivindicar alguma coisa junto do Governo. Santarém tem por exemplo 401.102, o que a torna mais "pobre" em termos eleitorais em 1.508, 402 cidadãos votantes do que Lisboa.
Desta forma, para ser eleito, basta ganhar Lisboa, tirar algum partido através dos "rebuçados" que vão sendo dados ao Norte e tirar o maior proveito possível dos militantes partidários das outras regiões.
E como é que se ganha Lisboa, da maneira que vamos vendo todos os dias. construindo um metro na margem sul do Tejo que ninguém utiliza, terminando a linha azul até ao Terreiro do Paço, uma obra que ainda está por provar a sua real utilidade, ao que parece querem fazer ainda uma nova ponte sobre o Tejo, quando a própria Vasco da Gama não apresenta normalmente congestionamento, etc... Ou seja, melhorando a cidade de Lisboa e esquecendo o resto do país.
Todas estas obras acima citadas, e outras tantas dariam para pelo menos dar alguma qualidade de vida a populações do interior às quais hoje em dia já nem lhe é permitido ficarem doentes, muito menos nascerem nas suas terras.
Esta cegueira eleitoral ataca até mesmo os poucos não Lisboetas (quando me refiro a não Lisboetas, não me refiro apenas a pessoas que não tenham nascido na capital, mas que ao não terem lá nascido, foram lá criadas) que chegaram ao poder nosso país. Foi a amnésia Lisboeta que levou Cavaco silva a esquecer que era um filho de Boliqueime, que levou Sócrates a esquecer que era Beirão. Aliás, o próprio acto de ver Sócrates a votar na Covilhã é tão hipócrita como eleitoralmente conveniente.
Também é verdade que por serem em maior número, são também os Lisboetas que contribuem com a maior fatia de impostos para o Estado, no entanto, nos estado em que estamos, é urgente uma discriminação positiva para o resto do país. Não, não me refiro a tirar de um lado para por noutro, refiro-me apenas a uma distribuição mais equilibrada de meios quer logísticos quer financeiros para todo o país.
A primeira regra para um governo conduzir bem os destinos do país é conhecer a realidade social, industrial e económica. Conhecer a forma como as populações distribuídas pelos quatro cantos do país e pelas regiões autónomas vivem é imperativo para responder de forma adequada às suas necessidades. E essas necessidades só podem ser conhecidas, estando no local e não passando apenas para inaugurar mais uma obra.
Infelizmente não é o que acontece, e por isso, vivemos num país em vias de desenvolvimento com uma capital de 1º mundo.

Mário Lima

Tuesday, October 2, 2007

Santana Vs. Mourinho

Anda este cantinho à beira-mar plantado num razoável reboliço porque o nosso amigo "Santinix" - mais conhecido por "the night train... da Figueira" do que por ter passado com o rabo a correr pela cadeira do poder do palacete de S. Bento - se ter levantado (ainda mais a correr do que de S. Bento) da cadeira dos estúdios da SIC Notícias por entender que esta teve o desplante de o interromper para transmitir a chegada de "O especial" - agora que já cá está podemos dizer assim - ao aeroporto.
A malta da política mesmo os que sempre detestaram Santana aplaudem, porque acham inadmissível um político, qual ser supremo e acima de todos os outros comuns mortais deste sítio por eles tornado cada vez mais mal frequentado, ser interrompido, ainda por cima por um qualquer "inergumeno" treinador do célebre jogo.
A malta da bola também se indigna contra Santana, já estavam fartos de ouvir falar de assuntos sérios e gostaram da interrupção para poderem parar de pensar um bocadinho.
Não me parece estar aqui em causa um choque de titãs nem tão pouco um jogo de dominó entre a politica e o mundo da bola, como ambos os lados da barricada têm vindo a defender.
Para mim, Santana agiu bem, já o motivo pelo qual o fez fica para ele um dia se quiser explicar, e agiu bem não por ser uma figura mais importante do que Mourinho ou porque a política seja mais importante do que a bola mas sim pela relevância das temáticas em causa, senão vejamos, Santana falava sobre as eleições no PSD, que quer queiramos quer não é um assunto que para o bem e para o mal interessa a todos os portugueses mesmo aos mais desinteressados, e é interrompido em directo pela simples chegada ao aeroporto de José Mourinho, que mais não fez do que chegar a Portugal, como aliás faz tantas vezes, ah, já me esquecia, desta vez está mais rico. Não ouve grande entrevista, não foi dito nada sério nesse directo, desta vez nem teve uma das suas fantásticas "tiradas", nada, vimos apenas "O especial" a dizer que ia descansar e seguir a sua vidinha.
Se a entrevista tivesse sido interrompida por exemplo quando Mourinho havia sido despedido e fosse fazer uma declaração em directo, eu compreendia, tratava-se de uma notícia de última hora, com algum impacto jornalístico até por constituir uma surpresa. A SIC Notícias que sem dúvida é uma referencia no plano informativo nacional e que sem dúvida faz um acompanhamento em tempo real desta vez cedeu ao voyourismo barato e interrompeu um assunto importante para passar um outro que sinceramente não me interessa para nada, e ainda que fosse passado à pressão entre outras notícias num dos blocos informativos continuaria a ter para mim o mesmo interesse, ou seja, zero.

Mário Lima

Friday, September 28, 2007

Outra vez Abrantes.

São 21:45, acabam de voltar ao hotel um casal de turistas alemães que chegaram aqui por volta das 18:00. Pediram-me um mapa e que lhes indicasse como chegar ao centro e o que podiam ver em Abrantes, assim como um bom restaurante para jantar, e partiram à descoberta da nossa cidade.
Quando entraram, perguntei se tinham encontrado o restaurante, responderam-me que sim, que tinham gostado muito do restaurante mas que nunca tinham estado numa cidade assim e que não compreendiam como se podia viver assim no centro da cidade. Perguntei porquê, responderam que não existe nada no centro da cidade, nem cafés, nem bares, nem restaurantes, nem o que eles chamam de pequenos mercados, que penso serem as nossas mercearias ou mini-mercados e muito menos gente nas ruas.
Disseram ainda que a cidade não era minimamente aprazível para os turistas pois, procuraram informações turísticas em vários pontos da cidade sem nunca as encontrarem pois o posto de turismo já se encontrava fechado. Não conseguíram encontrar placas indicativas dos monumentos e igrejas em local algum. Ainda tentei argumentar que a má impressão que tinham da cidade se devia a não conhecerem os sítios onde podiam ir e daí a fraca opinião com que tinham ficado, ao que eles responderam que a ideia é exactamente não conhecer mas ficar a conhecer, mas que para isso são necessárias indicações.
Não podemos pedir a um alemão que encontre o Castelo ou a Igreja de S. Vicente.
Sendo certo que não se pode agradar a toda a gente, é certo que todas as críticas que este casal fez são verdadeiras.
Devo de dizer que a maioria das pessoas gosta da cidade e da sua beleza, mas todas as críticas feitas pelo referido casal são comuns à maioria das pessoas, em particular à falta de comércio e de vida social. E é por serem comuns que deveriam estar perfeitamente identificadas por quem decide e já deveriam estar resolvidas e não estão, e não é pelo facto de existirem coisas bem que se vai deixar de resolver o que está mal.
De nada serve termos um belíssimo património se não andam pessoas na rua para o apreciar e se quem o quer apreciar não o encontra.
É urgente repensar o que queremos para a nossa cidade e sobretudo para o centro histórico, que de dia para dia se vai tornando cada vez mais moribundo. É certo que está bastante bem arranjado e até planeado eu diria, e nesse aspecto a câmara parece-me ter feito um bom trabalho. Há quem critique a não circulação de automóveis no centro histórico, mas o que é certo é que existem três bons parques de estacionamento em volta do centro em que de qualquer um deles facilmente se acede ao centro, e podemos circular nos pontos nevrálgicos. No entanto, a sensação que fica a quem conhece o plano que levou à remodelação e reestruturação do centro histórico é que o trabalho que envolvia obra foi todo feito e em geral bem, mas o chamado trabalho de cepa e de desenvolvimento e planeamento estratégico ficou na gaveta. Onde estão as salas de cinema planeadas para a rua da garagem dos claras? Onde estão as chamadas lojas âncora que a câmara pretendia atrair para a cidade à razão de pelo menos uma por cada rua? Onde andam as pessoas??? Porque razão a pouco e pouco a maioria dos serviços tem sido afastada do centro da cidade (excepção feita à repartição de finanças).
Para quando um levantamento sério das necessidades comerciais da cidade que permitiria constatar que tipo de comércio existe em excesso e qual é o que está em défice permitindo desta forma a criação de uma espécie de "bolsa" comercial em que seriam incentivadas as actividades comerciais que faltassem através quer de subsídios quer de apoios ao nível burocrático na obtenção de licenças. A criação desta "bolsa" se bem aplicada constituiria um forte apoio a quem pretendesse investir no centro da cidade.
Projectos como o novo "Insitu" podem parecer muito bonitos no papel mas de pouco servem se depois não existirem placas indicativas quer dos monumentos quer das principais actividades comerciais procuradas por quem nos visita, e servem ainda de menos se as referidas máquinas estiverem desligadas como têm estado.
Cada vez menos pessoas moram no centro da cidade e cada vez têm menos motivos para o fazerem, as casas são as mais caras da cidade, não existem escolas, supermercados etc.
O centro histórico precisa de uma revolução cultural, comercial e social sob pena de se tornar cada vez mais num deserto, belo, mas sem vida, e muito menos sem oásis pelo meio.

Beijos e abraços

Mário Lima

Sunday, September 16, 2007

Mike Scolari Ali

Que pena!!!!
Que pena Scolari não ter acertado no desgraçado do Sérvio. Agora vai ser castigado e nem teve o prazer de esmurrar o "balcânico" rosto de Dragotinovic (com um nome destes só pode ser uma nova contratação do Pinto da Costa. Imaginem Dragotinovic, qual Eragorn de Dragão ao peito).
O que é um facto é que o nosso "herói" só não enfiou a referida "pêra" (não sei rocha se outra qualidade qualquer), pela cara do Sérvio dentro porque este, vil e mesquinho se esquivou, diga-se com mestria. Sacana...
Pobre Scolari, ele apenas tinha estado a ver no dia anterior o episódio da série "Nip Tuck", e à falta de bisturi, resolveu reconstruir o nariz ao Sérvio com as suas próprias mãos, numa interpretação livre do que ele acha que deve de ser um nariz perfeito e "aquilino".
Não percebo porquê tantas críticas à atitude do seleccionador, afinal, ele apenas livrou o Sérvio de ter a família inteira do Quaresma atrás dele...
Repararam nas trompetas celestiais que tocavam na altura da conferência de imprensa em que com o ar mais natural do mundo, Scolari negava aquilo que todos tinham visto. Afinal ele quer é transformar o Estádio de Alvalade num mega franchising da MultiOpticas (o local ia ter mais sucesso do que no futebol), pois acha que tem ali um enorme mercado de pessoas a verem mal e a precisarem de óculos, estou convencido que ia ganhar ainda mais dinheiro...
Esteve bem depois, com a Judite de Sousa, já teve a atitude correcta ao pedir desculpa a todos nós que lhe pagamos o chorudo ordenado.
Da minha parte está desculpado da parte da "pêra", coitado, o homem passou-se e também tem esse direito. Também está desculpado porque finalmente consegui ver um telejornal a abrir sem falar na Maddie (só me apeteceu beijá-lo por isso), só não desculpo é o facto de não ter acertado no homem, assim ele ia ver como é dar um murro bem dado em "frontaria" Sérvia, e ficaria pelo menos satisfeito durante o castigo. Quanto ao Sérvio, ia ver o que era ser esmurrado na lingua de Camões, já devia de saber que ninguém se mete com o Quaresma sem que alguém o venha defender. Também não lhe desculpo o facto de me querer mandar à MultiOpticas, afinal eu sou um cliente satisfeito da Optivisão pois vejo bastante bem...

Mário Lima


Thursday, September 6, 2007

Parabéns!!!!!!

Hoje faz anos a namorada mais querida, mais linda, mais fofinha e tudo e tudo e tudo... Ou seja: a minha!!!!

Parabéns Guida!!
Espero que continues a fazer anos ao meu lado...


Sunday, September 2, 2007

Bons exemplos.

A revista "Domingo" publicada juntamente com o jornal "Correio da manhã", publica hoje a história de cinco administradores da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, na qual está incluído o Hospital Pedro Hispano, que prescindiram da aquisição de cinco viaturas (uma para cada um dos administradores), de forma a trocar o valor dessas mesmas viaturas (cerca de 35 mil Euros para cada viatura), por vários equipamentos hospitalares que consideravam estarem em falta na sua unidade de saúde, nomeadamente equipamento para a unidade de neurocirurgia.
Ao que parece, este não é sequer o primeiro ano em que o fizeram. Este ano adquiriu mais mediatismo por ter sido adquirido equipamento mais completo. Nos outros anos segundo eles o mesmo dinheiro foi gasto em despesas correntes.
Estes administradores só recebem a compensação pelos Kms. feitos nos seus carros pessoais em deslocações superiores a 100 Kms. Conta um dos administradores que ao chegar a Lisboa a uma reunião no Ministério lhe perguntaram por brincadeira se tinha vindo a pé...
Estes administradores tomaram esta atitude por considerarem que com este gesto estariam a ajudar a salvar vidas. Não se considerando de nenhuma forma prejudicados, por segundo os mesmos ganharem "o suficiente para não terem de andar a pé".
Num país onde o Estado teima em não saber definir prioridades para uma distribuição justa dos orçamentos que são fruto dos impostos que "quase" todos nós pagamos, fica o exemplo de consciência e de cidadania dado por estes SENHORES.
Só para terminar, gostava de salientar que estes cinco administradores são constituídos por três médicos, um enfermeiro e uma economista.

P.S. Acabaram-se as férias. Que desgraça...

Até um próximo post.
Beijos e abraços:

Mário Lima

Wednesday, August 15, 2007

Ser Benfiquista... Outra vez.

Num "post" aqui publicado no dia 28 de Maio terminei a dizer que esperava engolir no final da época que aí vem "engolir" tudo o que tinha escrito e estar a festejar o título de campeão nacional. Ora, a época ainda nem começou e já me parece difícil vir a "engolir" essas mesmas palavras. Sei que ainda é prematuro, mas quando se olha para a gestão do plantel não podemos deixar de estar apreensivos.
O nosso Presidente mais parece um papagaio, sempre a falar do apito dourado. Preferia vê-lo preocupado com a gestão do clube que ultimamente tem estado esquecida.
Outra coisa, que raio de Presidente é que num plantel que só tem três centrais, em que um deles já estava lesionado e o outro lesionou-se ontem, diz que o treinador já lhe disse que não precisa de mais um central? das duas uma, ou o Presidente mente ou o treinador é incompetente, e nenhuma das situações é boa.
O que se passa com Andersson?
Porque motivo todos os anos um dos jogadores fulcrais do plantel sai de uma forma forçada?
O que é que se passa quer ao nível do preparador físico e do departamento médico? Os jogadores continuam a não conseguir correr. Porque é que a época ainda não começou e já temos quase meia equipa no estaleiro?
Como diz o meu amigo Renato e bem, que raio de Presidente diz que "ia lá adivinhar que pagavam aquilo pelo homem?!"
A minha apreensão em relação à próxima época não se prende com a saída dos jogadores, prende-se sim com a falta de profissionalismo que parece imperar no departamento de futebol do Benfica.
Se é certo que não morro de amores por Fernando Santos, também é certo que neste momento ele me parece o menos responsável pelos insucessos presentes e futuros. Planeou a época com determinados jogadores que o Presidente garantiu que ficavam e de um momento para o outro saem, em troca recebe jogadores que ele próprio diz que não conhece.
A única atitude coerente que devia tomar era demitir-se.
Uma última palavra para Manuel Fernandes, vai para o Everton? O que é o Everton?
Com esta transferência só demonstra uma de duas coisas: ou é monetariamente ganancioso não se importando desta forma de ficar a perder no plano desportivo ou é realmente algo imponderado, senão vejamos, ficava esta época no Benfica e fazia uma grande campanha na Liga dos Campeões e dava o salto para o ano que vem para um clube de outras dimensões que lhe garantisse não só um bom contrato mas também algumas ambições desportivas.

Beijos e Abraços
Mário Lima

Saturday, July 21, 2007

ADACA

Com a abertura do novo Canil/Gatil Intermunicipal de Abrantes, Constância e Sardoal, a ADACA - Associação de Defesa dos Animais do Concelho de Abrantes, já disponibiliza "online" através do seu site http://adaca.no.sapo.pt uma lista com fotografias dos animais que tem disponíveis para adopção. Dispõe ainda de um serviço de tratamento de animais para pessoas que vão de férias. Está muito simples mas é bonito e bastante funcional.
Não deixem de o visitar, sobretudo se estiverem interessados em adoptar um "amigo".

Beijos e abraços do vosso amigo:


Mário Lima

Wednesday, June 27, 2007

Porque que não nos deixam trabalhar?

Afinal Manuel Pinho tinha razão. Tinha razão quando na sua visita à China disse aos líderes Chineses que podiam ir para Portugal, que os salários eram baixos, etc. O nosso Ministro da Economia parecia já estar ao corrente das alterações que o nosso "amigo" José Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e da "Solidariedade" Social (de solidário tem muito pouco, pelo menos com os trabalhadores) se preparava para propor ao código do trabalho, no famigerado livro branco.
Esta proposta de alteração contém uma série de propostas seriamente preocupantes, como por exemplo a alteração do horário de almoço de uma hora para apenas meia hora, a diminuição do período de férias de 25 para 23 dias, a diminuição de salários e a introdução de horários sem restrições, entre outras aberrações.
Esta proposta irá sem dúvida agradar ao tecido empresarial (passam a pagar menos e nós passamos a trabalhar mais) que de alguns anos para cá tem vindo a reivindicar estas medidas, como forma de tornar a nossa economia mais produtiva e mais competitiva.
Estas alterações à lei laboral já vêem a ser planeadas discretamente à algum tempo atrás. À muito tempo que vários empresários, "opinion-makers", políticos, etc. repetem com a voz embargada, e em tom do mais grave alerta, que os salários são demasiado elevados para o que se produz, ou seja, os gestores desresponsabilizam-se pelos maus resultados das empresas que gerem, responsabilizando os trabalhadores pela fraca produtividade...
Estas medidas só irão contribuir para o agravar da crise social e das diferenças entre a classe média e a alta, uma vez que não me parece viável que os salários dos gestores, directores e executivos baixem, contribuindo desta forma para o aumento do descontentamento, e acima de tudo a curto prazo, irá virar-se contra o objectivo do aumento da produção e do crescimento económico.
Medidas como esta tratam-se pura e simplesmente de terrorismo social, não fazendo qualquer sentido num Estado dito moderno e liberal, pois retiram direitos que as pessoas foram adquirindo ao longo dos anos (e que não são de todo exagerados). Estas medidas, a serem aplicadas correm o risco de mergulhar o país na mais grave crise económica, financeira e social alguma vez vista e remetem-nos quase para as condições sociais dos primórdios da revolução industrial.
O bom senso diz-nos que se de facto os trabalhadores não são produtivos, também é verdade que os gestores, directores, patrões etc. também o são.
Um trabalhador só produz vinte peças por dia. Será que a máquina com que trabalha está devidamente calibrada? A máquina é moderna ou obsoleta? O operário recebeu a devida formação para operá-la em pleno?
Estes são apenas algumas pequenas questões que podemos colocar do porquê da falta de produtividade.
Num país onde a grande maioria do tecido empresarial ainda não assimilou conceitos básicos de gestão como a qualidade ou a gestão horizontal, culpar os funcionários pela falta de sucesso das empresas é naturalmente o caminho mais fácil.
Factores como a motivação, a formação, etc. são de extrema importância para as empresas, são normalmente factores de diferenciação entre as "boas" e as "más" empresas.
Por exemplo, é desejável que seja sempre ouvida a opinião dos trabalhadores de cada sector em matérias com as quais estão directamente relacionados. Nestes casos o gestor assume que não controla, nem domina todos os aspectos e funções de um determinado processo, devendo por isso ouvir as pessoas que diariamente lidam com esse mesmo processo, conhecendo os problemas podem por isso apresentar algumas sugestões válidas para a sua resolução. Este tipo de gestão irá criar uma sensação de relevo que leva o trabalhador a sentir que o seu contributo é importante para a organização.
A formação é outro aspecto importante, na medida em que não só aumenta o grau de capacidade técnica na execução das tarefas sejam elas quais forem, como de certa forma aumentam a auto-estima do trabalhador contribuindo desta forma para um melhor desempenho.
Todas estas fórmulas (apesar de não serem milagrosas) contribuem e muito para o sucesso de uma empresa, pois ajudam a criar um factor da maior importância, a identificação do trabalhador com a empresa, evitando desta forma o "turn-over" (saída de empregados para outras empresas), o absentismo e o aumento do grau de satisfação do trabalhador, o que leva indirectamente ao aumento da produção.
Ora, sabemos que no nosso tecido empresarial na maioria das vezes nem tão pouco as regras básicas da boa educação, da cortesia e do respeito mútuo são lembradas, em que por vezes um simples "bom dia" parece um sacrifício ou nem sequer existe. Torna desta forma impossível criar uma empatia patrão/empregado tão importante para o sucesso.
Um Estado competente e progressista tentaria começar por aí, sendo certo que não traria resultados imediatos mas apenas a longo prazo, e necessitava da boa vontade de todos nós. Um Estado retrógrado e pobre de espírito como o nosso opta pelo caminho mais fácil que é este que tem vindo a seguir.
Um dia, quando as mentalidades forem diferentes, e patrões e empregados, gestores e operários, governos e população, poderem aceitar a importância e a relevância que cada um deles desempenha em qualquer organização,seja ele gestor ou empregado não qualificado, aí sim, talvez nos deixem trabalhar.

Beijos e abraços

Mário Lima

Friday, June 22, 2007

O aborto da lei.

Segundo anúncio feito ontem pelo Ministro Correia de Campos as mulheres que desejarem interromper a gravidez até às dez semanas estarão isentas do pagamento de taxas moderadoras, por segundo palavras do próprio, serem equiparadas às futuras Mães. Não, não usou o argumento das condições sócio-económicas, ou qualquer outro argumento minimamente válido.
Ainda não consegui perceber se estes Ministros têm algum problema com a língua Portuguesa, se gostam de nos fazerem de parvos ou se por outro lado não o serão eles... Este argumento da isenção de taxas moderadoras por parte de quem opta por interromper a gravidez, ser a mesma coisa que quem opta por levar a gravidez até ao fim (bem, na verdade o aborto sai muito mais barato ao Estado pois, só se faz uma vez, ao passo que as mulheres grávidas têm de andar sempre em consultas, a fazer exames, mais o abono de família, etc.), vem na mesma linha de argumentos descabidos do tipo do deserto da margem Sul do Ministro Mário Lino (de bom só tem o nome), da mão de obra barata em Portugal para Chinês ver do Ministro Manuel Pinho e daquele que é o meu argumento preferido: a explosão das pontes sobre o Tejo por parte da Al-Qaeda para justificar o novo Aeroporto na Ota, Almeida Santos, ex. Presidente da Assembleia da República dixit.
Devo dizer que nada tenho moralmente contra o aborto enquanto acto em si, tenho sim e devo confessá-lo, contra a facilidade com que o acto vai ser praticado a partir de agora.
Seria muito mais desejável ter uma lei que não condenando o aborto o controlasse, não apenas verificando as reais causas da decisão, mas também apresentando alternativas válidas que pudessem evitá-lo. E apenas e só quando verificadas essas condições, aí sim, seria devidamente autorizada e realizada a IVG.
Seria para isso necessária, em primeiro lugar uma clara aposta no planeamento familiar, apoios sérios à família, quer fossem apoios monetários, mas principalmente ao nível dos cuidados de saúde, esses sim, deveriam ser gratuitos quer para a mãe quer para os filhos. Deveria de existir uma clara aposta no incentivo à natalidade e não o inverso.
Num país que vê a sua população a envelhecer de dia para dia, levando a Segurança Social a um esforço cada vez maior para pagar as merecidas reformas a essa mesma população envelhecida, onde a população activa é cada vez menor e sobretudo com uma taxa de natalidade das mais baixas a nível Europeu e a diminuir drasticamente, (ainda bem que por outro lado, e bem, somos o terceiro país da Europa com a taxa de mortalidade infantil mais baixa) medidas como esta afiguram-se não só despropositadas e contraproducentes mas também tremendamente injustas para todos os contribuintes.
A isenção das referidas taxas moderadoras, cheira-me a mais uma idiotice néo-liberal, das muitas que já existem neste cantinho à beira mar "largado".


Mário Lima

Sunday, June 17, 2007

Abrantes

Hoje escolhi falar de outro tema que me é muito querido, a cidade onde vivo, Abrantes.
Depois das principais seguradoras, da Portugal Telecom, da EDP e Regimento de Infantaria 2, a serem verdade as últimas notícias vindas a público, também quase todos serviços existentes no nosso hospital assim como o Tribunal, o GAT e a Zona Agrária parecem também preparar-se para deixar a cidade. Assim, Abrantes corre o sério risco de se tornar uma cidade satélite de outras cidades cidades da região.
A sensação que fica é que parecem estar de certa forma a fazer uma "razia" a todas as valências indispensáveis à manutenção e à fixação de pessoas na cidade.
Sem querer dramatizar, parece que quase querem aniquilar Abrantes.
Enquanto nós, abrantinos ficamos entretidos com obras completamente acessórias como o açude, o campo de basebol, etc. vamos deixando que nos levem o que é realmente importante.
A visita do Primeiro-Ministro José Sócrates no dia de ontem a Abrantes é uma prova disso mesmo. Reuniram-se no "Aquapolis" algumas centenas de pessoas que pretendiam demonstrar o seu descontentamento pelo suposto encerramento do hospital ao Primeiro-Ministro e também ao Edil Abrantin
o. Eu diria que deveríamos todos ter mostrado a nossa indignação não só pelo hospital mas também por todo o resto que já saiu e o que se prevê que ainda venha a sair da cidade. Fiquei também um pouco apreensivo porque considero que dada a gravidade da situação não só o protesto foi tardio como pecou pela escassez de protestos e também de participantes.
Pergunto-me qual será o porquê de ser sempre Abrantes a perder e os outros a ganhar? Quais serão os interesses que se escondem por trás disto? Que faz o executivo camarário para evitar estas situações? Não sabemos. No entanto, sabemos que continuamos a perder qualidade de vida quase de dia para dia. A continuar assim, qualquer dia a única coisa que poderemos fazer na nossa cidade é ir ao supermercado, já agora o meu bem aja para eles que parecem serem os únicos a quererem continuar a investir na cidade e a não terem intenções de nos abandonar.
Termino este "Post" com uma pergunta. Serão os impostos dos Abrantinos menos valiosos que os dos nossos vizinhos?

Beijos e abraços do vosso amigo:

Mário Lima


Saturday, May 26, 2007

Ser Benfiquista...

Muito boa tarde.
Hoje vou falar de um assunto que me é muito querido: o meu Benfica.
Já sabemos que O F. C. Porto é o campeão este ano. Não vou aqui discutir se justo ou injusto.
Terminado o campeonato, verifica-mos que os três primeiros classificados acabaram separados por apenas dois pontos.
Num campeonato tão nivelado como o deste ano, parecem-me injustos os vários comentários dos chamados críticos da bola, que enaltecem o campeonato tanto do Porto como do Sporting e desvalorizam o campeonato realizado pelo Benfica.
É óbvio que o Benfica ficou no chamado último lugar dos primeiros e que nada a não ser o primeiro lugar pode ser considerada uma boa classificação para o maior clube português. No entanto, classificar de desastrosa a época do Benfica é um exagero.
Quando se chega à última jornada com os três primeiros classificados separados por dois pontos apenas e com a possibilidade de qualquer um se sagrar campeão, nem o campeão pode ser absolutamente fantástico nem os outros um absoluto desastre, e foi esta a imagem que passou. Isto não quer dizer que ache que o Benfica merecia ser campeão ou que não tenham sido cometidos erros o longo da época, a realidade é que foram.
Em primeiro lugar devo de dizer que não morro propriamente de amores por Fernando Santos, parece-me um treinador algo "murcho", sem carisma e sem "chama", em alguns momentos pareceu-me algo perdido no banco. Um grande defeito que lhe aponto é o de ser um péssimo gestor de recursos humanos, esse defeito foi particularmente evidente todas as vezes que disse taxativamente que tinha cerca de 13 bons jogadores e que esses eram os melhores. Ora, ao dizer isso estava consequentemente a dizer que os restantes pura e simplesmente não prestavam, desmotivando completamente os outros jogadores que ficaram com a sensação que por melhor que trabalhassem nos treinos nunca conseguiriam jogar. Jogadores esses a que teve necessidade de recorrer no final do campeonato com os resultados que se viram.
Fernando Santos além da clara desmotivação que provocou em meio plantel encarnado com esta atitude conseguiu ainda dar um tiro no próprio pé. Quem escolheu este plantel? Quem dispensou Diego Souza e Kikin Fonseca? Elementos que ficou provado que teriam sido úteis na segunda metade do campeonato, quando a equipa andava presa por arames? Quer contratou Derlei? Um flop... A que se deveu o eclipse de Paulo Jorge, jogador que no início do campeonato na ausência de Simão foi quase sempre um dos melhores elementos da equipa?
Será que alguém que seja coerente pode afirmar categoricamente que jogadores como Manú, Pedro Correia, João Coimbra etc. não são bons jogadores? É certo que sempre que entraram não mostraram grande coisa, mas também é certo que quem entra a cinco minutos do fim além de não ter a motivação devida para jogar, nem o ritmo de jogo necessário à alta competição assim como também não tem tempo para mostrar grande coisa.
A meu ver, Fernando Santos errou quando em determinados jogos em que se encontrava a ganhar por uma diferença de pelo menos dois golos, tendo o jogo perfeitamente controlado, não ter dado minutos a estes jogadores, fazendo por outro lado descansar algumas das peças importantes do seu xadrez que como se pôde ver nas últimas jornadas se encontravam completamente de rastos.
É também verdade que vi o Benfica fazer este ano exibições de grande qualidade como já não me lembrava de à muitos anos a esta parte. No entanto também vi jogos como o penúltimo jogo do campeonato contra o Vit. de Setúbal que foram uma autêntico desastre, jogadores sem ânimo, sem garra e parecendo sem rumo dentro do campo.
Outro factor que na minha perspectiva tem contribuído nos últimos anos para o insucesso do Benfica são as lesões. Sendo certo que em alta competição as lesões acabam por no fundo ser normais, o que já não é normal é os jogadores terem pequenas lesões, andarem a semana toda em dúvida, e chegarem ao fim de semana jogarem e depois pararem durante meses. Esta situação tem sido recorrente nos últimos anos. Parece haver uma pressa excessiva em que os jogadores joguem. O mais absurdo, é serem tantas as situações do género e os responsáveis clínicos ainda não terem aprendido a lição.
E quem são os culpados? Do meu ponto de vista parece-me claro ser o departamento médico o principal responsável. Senão vejamos: O Benfica nos últimos anos tem mudado de treinador, de preparador físico e até de local de treino (pois, a desculpa de andarem a treinar em campos diferentes não se coloca este ano). Qual é o único denominador comum? Claro, o departamento médico.
Outra situação que me preocupa na gestão do plantel é que este ano vamos ficar sem Fabrizio Miccoli cujo passe custa apenas cerca de cinco milhões de euros, e concerteza iremos gastar mais do que isso na contratação de jogadores que não conhecemos de lugar algum e provavelmente de qualidade duvidosa.
Gostava de ver um esforço financeiro para manter o referido jogador. E mais, gostava de ver mais produtos da formação das escolas do Benfica.
Não se compreende como se contratam jogadores tão maus como Beto, Marco Ferreira etc. e não se dá oportunidades aos mais jovens de mostrarem o que valem. Sendo certo que mau por mau, os jovens pelo menos trariam algum dinamismo à equipa e mais, seriam substancialmente mais baratos para os depauperados cofres do clube da Luz.
Outra situação que não se percebe muito bem é a situação de José Veiga, vem não vem... Mas afinal em que é que ficamos?! Essa situação já deveria de estar esclarecida por esta altura, aliás num clube minimamente organizado tal situação nunca se verificaria. Nunca veríamos o treinador dizer taxativamente que estava a preparar a nova época com José Veiga e depois vir o presidente dizer que não. Mas afinal!?
Gostava que para o ano o nosso Presidente tivesse um discurso menos demagógico e mais pragmático. Gostava sinceramente de o ver menos populista e mais realista. Porque sinceramente não são os discursos do Presidente que ganham jogos, é a equipa de futebol. Todos os anos nos dizem que este ano vamos ganhar tudo e depois acabamos sempre por não ganhar nada.
Já era tempo de os órgãos dirigentes do clube pararem para reflectir no que de bom tem sido feito (e sim, têm sido feitas muitas coisas boas) e também no que de mau tem acontecido ao Benfica de forma a não se tornar a repetir.
Termino com um desejo: Espero para o ano estar a "engolir" tudo o que disse aqui de mau sobre o Benfica e estar aqui a festejar o título de campeão nacional.

Mário Lima